Disgrafia e sua influência no processo de aprendizagem

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Disgrafia e sua influência no processo de aprendizagem

Mensagempor Angela Mathylde Soares » 06 Jun 2010, 09:04

A Disgrafia e sua influência no processo de aprendizagem
Thiago Luiz Queiroz Ferreira
Fisioterapeuta
Especialização em Terapia Manual, atuante nas áreas Ortopédica e Neurológica (Adulto e Infantil)
Atua na Aprendizagem e companhia
[url]www.aprendizagemecia.com.br
[/url]
A escrita é considerada uma das principais formas de comunicação interpessoal, e aliada à leitura, correspondem aos aspectos de maior importância no processo de alfabetização. Trata-se de uma habilidade de vida extremamente necessária; é através da escrita que realizamos nossos registros, escrevemos cartas, preenchemos cheques, elaboramos textos e possibilitamos o uso de recursos tecnológicos, como os celulares e os computadores.
Cerca de 31 a 60% do dia de uma criança em período escolar são gastos com a escrita e outras atividades motoras finas. Por isso, o processo de aprendizado da escrita está intimamente ligado à construção da auto-estima da criança e ao sucesso escolar. Porém, não somente o aprendizado da escrita se faz importante, como também a qualidade com a qual se desenvolve o processo do escrever, ou seja, a legibilidade da escrita, sendo a ilegibilidade uma possível barreira para a aquisição de habilidades mais elaboradas, como a soletração e a composição de histórias.
O ensino é voltado para a aprendizagem da escrita correta e para o domínio dos conceitos gramaticais, porém sabe-se muito pouco sobre a natureza da escrita, como funciona, para que serve e como deve ser usada (ensinando e aprendendo).
A Disgrafia é uma perturbação da escrita no que diz respeito ao traçado das letras e à disposição dos conjuntos gráficos no espaço. As crianças disgráficas apresentam dificuldades no ato motor da escrita, tornando a grafia praticamente indecifrável. Ocorre em crianças com uma capacidade intelectual normal, com uma adequada estimulação ambiental, e sem transtornos neurológicos, sensoriais, motores ou afetivos intensos. Porém, torna-se importante salientar que até os 06 anos de idade, a criança encontra-se em um processo de construção natural de sua escrita.
Caracterizam uma escrita disgráfica:
→ Rigidez ou relaxamento no traçado;
→ Impulsividade ou lentidão no traçado;
→ Dificuldades relativas ao espaçamento;
→ Dificuldades relativas à uniformidade;
→ Dificuldades relativas à forma das letras;
→ Dificuldades relativas ao ligamento das letras;
→ Dificuldades relativas à inclinação da escrita.
Várias são as causas prováveis de um distúrbio disgráfico de escrita:
→ Distúrbios de motricidade (ampla e fina);
→ Distúrbios de coordenação visomotora;
→ Deficiência da organização temporoespacial;
→ Problemas de lateralidade e direcionalidade;
→ Erros pedagógicos.
Além dos prováveis fatores causais intrínsecos da Disgrafia, fatores extrínsecos relacionados ao ambiente e à própria biomecânica da escrita demonstram uma parcela significativa no comprometimento da qualidade da escrita desenvolvida. A posição assentada, a altura da mesa e da cadeira, o instrumento utilizado para a escrita, o tipo de papel usado e o espaço sobre a mesa, a luz e o barulho ambientes, a distância do quadro ao copiar e o volume de escrita exigido são alguns desses fatores. Outros fatores extrínsecos de influência sobre a escrita são o tipo e a duração da instrução recebida pela criança através do professor.
A postura adotada durante o ato de escrita é um outro fator de extrema importância ao se considerar um quadro de Disgrafia. Muitas vezes, a qualidade da escrita produzida poderá estar comprometida em decorrência da má postura ao se escrever, ao invés dos fatores intrínsecos relacionados ao desenvolvimento da criança, principais aspectos apontados como causa. Preconiza-se para a realização de uma escrita de melhor qualidade: apoio dos pés sobre a superfície, quadris e coluna lombar recostados, joelhos flexionados a aproximadamente 90º e cotovelos ligeiramente flexionados com repouso confortável dos antebraços sobre a mesa.
Os professores tem se mostrado pouco qualificados para atuar de forma preventiva sobre este distúrbio de tão significativas repercussões, tornando-se necessário proporcionar tal conhecimento, para uma atuação mais embasada dos mesmos no processo de aprendizagem e determinação da qualidade da escrita, assim como para a realização de encaminhamento aos profissionais qualificados para uma intervenção direta sobre o distúrbio, que comprovadamente, não se resolve sem tratamento!
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Angela Mathylde Soares
 
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Data de registro: 06 Jun 2010, 07:39

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