ABSTRACT
This
work had as objective to verify the presence of Binge Eating Disorder
(BED) in obese adolescents and if it has some correlation with anxiety.
For this accomplishment a cross-sectional study and a quantitative method
was used. The research instruments used were: identification interview of
BED, according to DSM-IV criteria; Body Mass Index (BMI); Binge Eating Scale
(BES); and State-Trait Anxiety Inventory (STAI). Seventy three obese and overweight
adolescents were researched, with age between 11 and 18 years old, respecting
their natural order of searching to the Program of Preventive Medicine of
UNIMED - Baixa Mogiana. The instruments allowed were used to evaluate the
following variables: age, sex, BMI, BED and State-Trait Anxiety. The subjects
were divided in 2 groups: with BED and without BED (group-control), and compared
the other variables between the two groups. The data of the research also
allowed to evaluate the education of the subjects: varying from the 5o. degree
of college to the 3o. degree of high school. Over the results a statistical
analysis with nonparametric tests
were used, utilizing a level of significance of 5%, with p-value = 0,05. The
results evidencied that the indexes of BMI and of anxiety-trait were shown
more statistical significating in the group with BED that in the group without
BED, indicating that the adolescents with BED presented a larger tendency
for anxiety and obesity that the subjects that didn´t present BED. These results
of this work are likeness the results of previous studies. And in spite of
the limitations of the research, they can be indicative of considerable risk
factor for the obesity and other disorders in the adolescence. They can also
contribute to a better knowledgement of BED, this recent diagnostic category,
and of their relationship with the anxiety in the obese adolescents.
A prática clínica tem mostrado um
aumento considerável de pacientes obesos, adultos, adolescentes e crianças, que
procuram ajuda psicológica pela obesidade em si mesma, ou por outros motivos e
patologias.
Muitas questões, dúvidas e preocupações têm surgido a partir do
trabalho clínico-psicológico com estes casos, evidenciando-se o interesse e a
necessidade de se pesquisar sobre os determinantes psíquicos que participariam
na gênese e evolução da obesidade, no intuito de um melhor entendimento desta enfermidade e suas possibilidades de
tratamento, ou prevenção.
PARIZZI & TASSARA (2001), abordam
que o aumento da prevalência da obesidade em crianças e adolescentes, as suas repercussões biopsicossociais, os
percentuais de insucessos terapêuticos e recidivas, e o grande risco de que a
criança obesa se torne um adulto obeso, apontam a obesidade como um dos grandes
problemas e fator de risco para a saúde na infância.
Uma preocupação constante no tratamento
com obesos tem sido os insucessos dos tratamentos clínicos de forma geral, que
se mostram muitas vezes infrutíferos na manutenção definitiva da conquista de
perda de peso (WADDEN, 1999; AJURIAGUERRA, 1986).
FONSECA
et al. (2001), apontam os
resultados insatisfatórios, a médio prazo, das propostas convencionais de
tratamento da obesidade, como dietas e atividade física, e relatam que menos de
1% das pessoas que fazem um regime alimentar bem-sucedido de curta duração
mantém o peso em níveis satisfatórios 3 a 5 anos após a interrupção do regime.
Estes autores chegam a conceituar a obesidade como uma síndrome clínica
frequente e complexa, cujo tratamento é fonte usual de frustração para médicos
e pacientes.
Também para WADDEN (l999, pg. 1602) “a
obesidade é um dos transtornos mais refratários da medicina. Sem tratamento, a
grande maioria das pessoas obesas continuará a ganhar peso, enquanto as que
perdem peso pelos métodos convencionais provavelmente o recuperarão dentro de
cinco anos".
Os
autores AJURIAGUERRA (1986); WADDEN, (1999);
e FONSECA, et al. (2001), apontam também que a perda de peso é, em
geral, mais fácil de se obter do que a manutenção desta perda.
Alguns
estudos (APPOLINARIO, 1995; CORDÁS, 2001; PAPELBAUOM, 2001) referem que o
obeso, com muita frequência, encontra-se em luta com a dificuldade de controle
para o comportamento de comer e daí a dificuldade para a perda ou manutenção do
peso.
Outros estudos indicam aspectos
do que poderia estar envolvido no comportamento do comer do obeso. BATTISTONI
(1996) em pesquisa com adolescentes
obesas aponta que essas tendem sempre a voltar-se para a comida como única
forma garantida de prazer, diminuindo outros prazeres e formas de satisfação de
sua vida.
DALGALARRONDO (2000), coloca a obesidade dentro de uma
classificação de “Síndromes relacionadas ao comportamento alimentar”,
juntamente com os outros transtornos do comportamento alimentar como a anorexia
e a bulimia, dando destaque ao perfil e problemas emocionais do obeso.
Outros estudos também reconhecem
fatores psíquicos na dinâmica da obesidade. DEITOS et al (1995), afirmam que as relações entre o peso,
alterações de apetite e a depressão já eram observadas desde a antiguidade
greco-romana por Areteo da Capadócia, e que “o papel desempenhado pela
obesidade em suas relações etiopatogênicas com a depressão distribuem-se em 2
categorias: a obesidade como origem da depressão e como sintoma da mesma.”
Apontam que fatores psíquicos como a depressão, são considerados nas relações
etiopatogênicas da obesidade desde há muito tempo.
Apesar disto WADDEN (1999) considera
que a forma de lidar com esta enfermidade e de tratá-la parece não ter
apresentado muitas mudanças e ressalta que “o tratamento (de obesos) permanece
semelhante ao descrito por Hipócrates há aproximadamente 2.500 anos”, No entanto, o crescente número de pessoas
obeso nos países ocidental, justificaria a necessidade de tratamentos mais
atualizados.
Hipócrates
(médico grego 460-377 a.C.), segundo BROWNELL (1995), já alertava para os
riscos da obesidade, evidenciando que a morte súbita era mais comum nos
indivíduos naturalmente gordos do que nos magros, e suas recomendações para o
tratamento incluiam: trabalho pesado,
alimentos gordurosos, para que o indivíduo se satisfizesse com menos
comida, comer uma vez ao dia, dormir em cama dura e andar tanto quanto
possível.
FONSECA, et. al. (2001), apontam que a obesidade
tem crescido nos países europeus e nos Estados Unidos, chegando a 40% entre as
mulheres em alguns países mediterrâneos. E no Brasil, da mesma forma tem-se
verificado um aumento significativo de pessoas obesas.
McELROY, et al.(2002), colocam que nos períodos de 1988 a 1994, observou-se
que, na população geral dos Estados Unidos, 55% apresentavam sobrepeso e 27%
apresentavam obesidade.
Recentemente, em função desta explosão
mundial no número de pessoas obesas,
tem havido uma preocupação maior para se olhar a obesidade como uma
doença e para as possibilidades multidisciplinares de seu tratamento.
Este olhar multidisciplinar dos profissionais de saúde, incluindo os de saúde mental, para a obesidade como doença, abre um espaço importante para estudos a respeito dos vários aspectos nela implicados.
“A obesidade é um distúrbio psicossomático por excelência. Os estudos etiopatogênicos descrevem determinantes genéticos, neuro-endócrinos, metabólicos, dietéticos, ambientais, sociais, familiares e psicológicos. A inter-relação entre estes diferentes elementos é complexa e dinâmica, de tal modo que o isolamento de um deles possibilita compreensão mais precisa de um aspecto do problema” ( BETARELLO l988, pg. 194).
BATTISTONI (1996) apresenta uma
visão psicossomática da obesidade e aponta a importância de fatores psíquicos
que interferem no desencadeamento e
manutenção da mesma. Encontra vários traços comuns na personalidade das obesas
estudadas, bem como alguns mecanismos psíquicos de defesa predominantes, e
conclui que muito pouco dos casos estudados poderiam evoluir positivamente, sem
ajuda psicológica complementar.
Destaca ainda a importância dos fatores
psicossociais no desencadeamento e
manutenção da obesidade
relacionando algumas características de personalidade mais comuns
encontradas nos casos estudados, como: tendência à depressão, sentimento de
inferioridade e de vazio interior, dependência e passividade, agressividade
reprimida, entre outros.
Em 1986 AJURIAGUERRA já encontrara em
seus estudos aspectos psicopatológicos de depressão na criança obesa, com
sentimentos intensos de vazio, falta e ausência, contra os quais o obeso
procura proteger-se. A obesidade, segundo o autor, desempenharia o duplo papel
de proteção contra um ambiente visto como perigoso e de uma garantia da própria
integridade e do valor da auto-imagem. A
partir das observações e reflexões psicopatológicas, conclui que o tratamento
da criança obesa que visa apenas o sintoma incorre certamente no insucesso, pois
rapidamente ela recupera os quilos perdidos. A forma de abordar o problema
precisa atingir os aspectos psicossomáticos da obesidade.
WERUTSKY, e BARROS (2000), utilizam a
denominação "obesos compulsivos" para pessoas acometidas pela
obesidade com comportamento alimentar compulsivo. Colocam que a maioria destes
obesos apresenta oscilações de peso, predominantemente o aumento. E ainda, que
obesos com ataques de comer costumam apresentar obesidade com início na
infância, e engajam-se mais cedo em programas de dieta, frequentemente
apresentam transtornos da imagem corporal, além de sintomas depressivos e uso
abusivo de álcool e drogas.
Os estudos e pesquisas sugerem portanto
que a obesidade é uma doença com implicações psíquicas importantes e que justificam
maiores estudos.
Embora
a obesidade atualmente seja claramente vista como uma doença, ela não tem sido
abordada nos manuais de diagnóstico em Psiquiatria como a CID-10 (OMS, 1993) ou
o DSM-IV (APA, 1994) da mesma maneira que os demais transtornos alimentares,
anorexia e bulimia, que são tratados de forma ampla nestes manuais como quadros
nosológicos.
A obesidade não é considerada um
transtorno alimentar, porém atualmente os estudos e tratamento com
grupos de pacientes com transtornos alimentares, têm incluído pacientes obesos.
Vários
núcleos universitários vêm realizando
estudos com grupos de pacientes com bulimia, anorexia e obesidade,
incluindo-os como categorias de transtornos alimentares (CORDÁS, 2001).
Seguindo linha de trabalho semelhante,
a UNIMED da Baixa Mogiana - SP vem realizando programas de medicina preventiva
com grupos de pacientes de risco e entre eles, os obesos.
É no trabalho com estes grupos que visualizamos a possibilidade de realizar o estudo com os adolescentes que procuram a UNIMED para atendimento da obesidade. Consideramos a observação de BATTISTONI (1996) de que em nossa cultura, a preocupação com a silhueta é muito mais acentuada entre adolescentes, e que as adolescentes obesas apresentam maiores dificuldades do que as adolescentes normais para superarem os conflitos típicos desse período evolutivo. Parece-nos porém, que estes fatores não se encontram presentes apenas nas adolescentes mulheres, mas também nos homens. No estudo com adolescentes obesos de ambos os sexos, procuramos verificar o comportamento alimentar e a ansiedade enquanto fator psíquico implicado.