ANEXO 4:
Entrevista familiar estruturada E.F.E. (1983)
Tarefa
1: “Vamos imaginar que vocês teriam de se
mudar da casa onde moram no prazo máximo de um mês. Gostaria que vocês
planejassem agora, em conjunto, como seria a mudança”
O objetivo desta tarefa é
verificar como a família funciona quando necessita fazer, em conjunto, algo que
lhe é solicitado com certa pressão externa. A escolha do tema mudança e a
estipulação do prazo de um mês visam conseguir maior envolvimento dos membros
da família com a tarefa, tendo em vista que qualquer família poderia se ver um
dia, pelos mais diferentes motivos, diante de tal situação.
Mais importante do que o conteúdo
das respostas dadas ao estímulo apresentado é a forma como a família lida com a
proposta que lhe é feita, ou seja, como a família atua enquanto grupo. Podemos
observar, a partir da dinâmica estabelecida, de que maneira se processa a
comunicação na família, como cada membro assume seu papel familiar, como são as
regras familiares sobre semelhanças e diferenças, como a família lida com o
conflito quanto este surge, se surgem e como surgem as lideranças e em que
medida a integração grupal é capaz de levar o grupo familiar a ser produtivo e
chegar a conclusões conjuntas, respeitando a individualização de cada membro.
Tarefa 2 “Quando você está fazendo uma coisa qualquer,
mas fica difícil terminar essa tarefa sozinho, o que você faz?”
Essa tarefa pretende avaliar em
que medida os membros da família são capazes de buscar ajuda sem desmerecer
seus próprios recursos e, a partir daí, fornecer dados sobre a auto-estima de
cada membro. Indivíduos autodesvalorizados podem ter dificuldades em pedir
ajuda e, quando o fazem, podem não conseguir explicitar claramente seu pedido,
o qual nem chega a ser entendido pelo outro. Pode ocorrer também que indivíduos
muito autovalorizados não peçam ajuda por serem auto-suficientes. O importante,
nesta tarefa, não é investigar apenas se os membros da família pedem ou não
pedem ajuda, mas sobretudo verificar em que postura o fazem, quando, como e a
quem dirigem seu pedido de ajuda e, se não o fazem, por quê.
Além de especificamente obtermos
dados sobre a auto-estima de cada membro da família, por meio dessa proposta
poderemos observar também, de maneira geral, como são as regras familiares
sobre autovalorização, como os membros da família interagem para resolver os
seus problemas, como são desempenhados os papéis familiares, sobretudo os
papéis de pai e de mãe.
Tarefa 3: “Diga
de que coisas você mais gosta em você”
Esta é uma das seis tarefas
utilizadas por Ford & Herrick (1971) na Entrevista de avaliação familiar via videotape. Segundo
esses autores, ela constitui uma forma de descobrir que coisas boas se permite
a alguém dizer a respeito de si mesmo e, inferencialmente, o que cada pessoa se
permite dizer de acordo com seu superego; é também uma forma de descobrir o que
é permitido pela família e pelas regras pessoais.
Ao propormos a mesma tarefa no EFE
pretendemos obter indicações sobre a auto-estima dos membros da família, à
medida em que cada um conseguir, ou não, ver coisas boas em si mesmo, ou seja,
gostar, ou não, de si mesmo. Estamos interessados não apenas na dimensão
individual da auto-estima, mas principalmente, em avaliar em que medida a
dinâmica familiar - a partir, sobretudo, de
como os pais se autovalorizam - permite
e facilita a formação e a explicitação de sentimentos de valor positivo nos
membros da família.
Tarefa 4: “Como
é um dia de feriado na família?”
Um dos objetivos específicos desta
tarefa é fazer uma avaliação da relação conjugal. Caso nas respostas da família
não surja espontaneamente nada de específico sobre o casal, o entrevistador
pergunta explicitamente sobre as suas atividades. Pretende-se verificar com
esta tarefa se os membros do casal interagem como marido e mulher, ou seja, se
o subsistema conjugal está presente na família, se nesse subsistema os membros
do casal se individualizam e se funcionam como modelo de uma relação
homem-mulher gratificante.
Essa tarefa permite-nos também
obter dados importantes sobre as regras familiares relacionadas ao lazer e à
tomada de decisões sobre o manejo das semelhanças e diferenças, sobre a maneira
como os membros da família se agrupam e se individualizam.
Tarefa
5: “Imagine que você está em sua casa,
discutindo com uma pessoa qualquer de sua família, e alguém bate à porta.
Quando você vai atender, a pessoa com quem você estava discutindo lhe dá um
empurrão. O que você faz?”
Nessa situação, podemos observar
se as regras familiares permitem a expressão de sentimentos agressivos e se a
agressão pode ser livremente expressa com relação a qualquer membro da família.
É importante verificar se há espaços na família para que seus membros possam
vivenciar sentimentos de raiva, sem a ameaça de destruição, e possam usar sua
agressividade de forma construtiva.
Além disso, esta tarefa
possibilita uma avaliação da interação conjugal e da interação do grupo
familiar, pelo fornecimento de dados importantes relacionados ao manejo das
discordâncias e dos conflitos, e as regras sobre autoridade e poder familiar.
Tarefa
6: “Cada um de vocês vai escolher uma ou
várias pessoas da família, pode ser qualquer pessoa, e vai fazer alguma coisa
para mostrar a essa pessoa que gosta dela, sem dizer palavra alguma”
À medida em que impede que a
palavra seja utilizada, esta tarefa pretende verificar principalmente se as
regras familiares permitem o contato físico como manifestação de afeição. É
importante observar se ocorrem, e como ocorrem, os contatos físicos entre os
membros do casal, entre os pais e os filhos, e entre os irmãos.
Ao mesmo tempo em que esta tarefa
possibilita uma avaliação sobre as trocas afetivas entre os membros da família,
fornece também dados significativos sobre a comunicação não-verbal e sobre os
processos de individualização e integração no grupo familiar.
ANEXO 5: Tipologia das doenças crônicas
|
|
|
Incapacidade
aguda |
Incapacidade
gradual |
Não-incapacitante
aguda |
Não-incapacitante
gradual |
|
Progressivas |
Fatais |
|
Câncer
pulmonar com metastases CNG Esclerose
aminotrófica lateral |
Leucemia aguda Câncer pancreático Cancer de mama com
metastases Melanoma maligno Câncer pulmonar Câncer hepático
etc. |
Fibrose cística(*) |
|
Remissivas |
|
|
|
Cancer em remissão |
|
|
Progressivas |
Potencialmente
fatais |
|
|
Enfisema Alzheimer Demência Esclerose
múltipla(+ cudia) Alcoolismo crônico C.
de Hunghtinton Escleroduma |
Diabete juvenil(*) Hipertensão maligna Adulto com
dependência insulínica no quadro de diabetes |
|
Remissivas |
|
Angina |
Esclerose múltipla
precoce Alcoolismo episódico |
Hemofilia Anemia falciforme(*) |
Lupus eritematoso
sistêmico(*) |
|
Constantes |
|
Enfarte Enfarte do
miocárdio moderado/severo |
PKV
e outros erros inatos do metabolismo(*) |
Enfarte do
miocárdio moderado Arritmia cardíaca |
Tratamento de
hemodiálise por falência renal(*) Hodgkins |
|
Progressivas |
|
|
Parkinson Artrite reumatóide Ósteo artrite |
|
Diabete sem
dependência de insulina |
|
Remissivas |
Não-fatais |
Doença
no disco lombo-sacral |
|
Cálculo renal,
gota, alergia sazonal, asma, epilepsia, cefaléia |
Úlcera péptica,
colite ulcerativa, bronquite crônica, doenças inflamatórias dos intestinos,
psoriase |
|
Constantes |
|
Má formação
congênita(*) Lesões na coluna
vertebral Cegueira aguda(*) Surdez aguda(*)
Sobreviventes de
traumas severos e queimados Síndrome pós-hipoxia(*) |
Retardo
não progressivo Paralisia cerebral Distúrbios do
desenvolvimento |
Arritmia
benigna Doença cardíaca
congênita |
Síndromes
de não-absorção Hiper/hipotireoidismo Anemia perniciosa Controlado glaucoma
Hipertensão controlada |
(*) precoce
ANEXO 6: Classificação sócio econômica
![]()
Na construção civil
.............................................................................................................................................. Proletáriado típico
Com
formação ...............................................................................................................
. Nova pequena
universitária burguesia
Nos demais
setores da
produção de
bens materiais
Com
estabelecimento
........................................................... Nova
pequena
burguesia
Conta Sem
formação Com
Pequena
própria universitária conhecimento ....................... burguesia
do
ofício tradicional
Sem
estabelecimento
Sem
conhecimento ....................... Subproletariado
do
ofício
Com
formação
................................................................................................................... Nova pequena
universitária burguesia
No comércio
e serviços Pequena
Com
estabelecimento
............................................................. burguesia
sem
formação tradicional
universitária
Com Pequena
conhecimento ....................... burguesia
do
ofício tradicional
Sem
estabelecimento
Sem
conhecimento ....................... Subproletariado
do
ofício
ANEXO 7: Classificação
Sócio-econômica
Com
formação Nova
universitária
e/ou ............................ pequena
Na
construção postos diretivos burguesia
civil
Com
conheci- Proletariado
Sem
formação mento do ofício .. típico
Relação
direta universitária
e/ou
com
a produção postos
diretivos Sem conheci-
mento
do ofício .. Subproletariado
![]()
Com
formação Nova
universitária
e/ou ............................ pequena
Nos
demais setores postos diretivos burguesia
Na produção de da
produção de
bens materiais bens
materiais Sem formação
universitária
e/ou ............................ Proletariado
postos
diretivos típico
![]()
Com
formação universitária
................................................... Nova pequena
Na
relação indústria e/ou postos diretivos burguesia
para
a produção
Assalariados Sem
formação universitária
................................................... Proletariado
e
postos diretivos não-típico
Em serviços
domésticos
................................................................................................................................ Subproletariado
Com
formação universistária
................................................. Nova pequena
e/ou
postos diretivos burguesia
No comércio e
serviços
exceto domésticos
Sem
formação universitária
................................................... Proletariado
e/ou
postos diretivos não típico
Figura
2: Esquema de operacionalização da nova
pequena burguesia, proletariado não-típico, proletariado típico e
subproletariado
Fonte:
Lombardi, C. et al., 1988.
ANEXO 8:
Classificação sócio-econômica
![]()
Com cinco ou mais
empregados e renda igual ou superior a 15 SM
........................................ Burguesia
![]()
Empregadores Com
formação universitária
................................ Nova
pequena burguesia
Até quatro
empregados e renda
igual ou superior a
15 SM
Sem
formação universitária Pequena
burguesia tradicional
Figura 3: Esquema de operacionalização da burguesia, nova
pequena burguesia e pequena burguesia tradicional
Fonte: Lombardi, C. et al., 1988.