II - MÉTODO

 

2.1 Participantes

 

A amostra foi constituída por 45 casais heterossexuais recrutados, com média de idade de 24,6 anos (s.d.=4,89; média masculina: 24,3; s.d.= 3,22; média feminina: 24,9, s.d.= 6,24), por meio do seguinte anúncio colocado no site da Universidade de São Paulo (USP):

A fim de confeccionar e aferir o inventário para este estudo também participaram desta pesquisa 232 pessoas, no qual a metade da amostra foi composta por homens e a outra metade por mulheres.

 

 

O Centro de Estudos da Timidez e do Amor (CETA) do Instituto de Psicologia no Departamento de Psicologia Experimental está realizando uma pesquisa a respeito do ciúme. Para isso, o laboratório está selecionando casais de namorados. As pessoas selecionadas participarão de testes psicológicos a fim de saberem um pouco mais a respeito de si mesmas em relação aos seus relacionamentos amorosos. É necessário o consentimento de ambos para a realização dos testes. Os interessados deverão entrar em contato com o psicólogo Thiago de Almeida pelo e-mail: queroparticipardesseteste@yahoo.com.br

 

 

2.2 Local

 

         Foram utilizadas salas do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) para os participantes paulistanos que poderiam vir a responder os questionários.

 Os participantes que não puderam vir pessoalmente até a Universidade de São Paulo receberam os questionários e os devolveram por meio de correio eletrônico (e-mail).

 

2.3      Instrumentos

 

2.3.1       Escala de Ciúme Romântico (ECR).

 

         Este instrumento (anexos 5 e 6) elaborado por Ramos, Yazawa & Salazar (1994), é constituído por 52 itens, em duas versões: um questionário com afirmações adequadas para o gênero masculino e o outro para o feminino. A ECR foi formulada para indicar graus de ciúme e considera que o ciúme, em indivíduos normais, varia interpessoalmente e intrapessoalmente em termos de grau (Ramos, 2000). Tais afirmações são classificadas em quatro categorias, a saber: Aceitação (25 itens); Dor (19 itens); Raiva (14 itens); Não ameaça versus ameaça (40 itens). Cada afirmativa é acompanhada de uma escala do tipo Likert, com cinco opções de resposta, variando de “discordo totalmente” (alternativa 1) a “concordo totalmente” (alternativa 5).

Nesta pesquisa, a avaliação do ciúme somente levou em conta na ECR as questões que compõem o fator geral de ciúme Não-ameaça versus ameaça[1]. Este fator foi responsável, no estudo original do autor, por 13,7% da variância total das respostas, com eigenvalue de 8,07, e um alfa de 0,89 (Ramos, 2000). Este mesmo conjunto de questões foi utilizado com sucesso em outras pesquisas (e.g. Salazar, Couto, Gonçalves & Pereira, 1996) e, por isto, foi adotado aqui. Logo, as outras questões do questionário completo não foram utilizadas.

As respostas a estas questões foram classificadas pelo autor em cinco graus crescentes de ciúme, a saber: ínfimo, leve, moderado, intenso e excessivo.

 

2.3.2 Instrumento para avaliar a infidelidade amorosa.

 

O conceito de infidelidade amorosa pode abarcar muitas ações e situações distintas, todos relacionados a um mesmo denominador comum: uma relação amorosa e o rompimento de compromisso de exclusividade, explícito ou não. Tendo em vista esta multiplicidade de ações, foi elaborado, especialmente para este trabalho, um instrumento com a finalidade de captar o que as pessoas concebem como comportamentos relacionados à infidelidade. A confecção do mesmo se deu por meio de três etapas.

Inicialmente, foi elaborada uma lista de trinta comportamentos aparentemente relacionados à infidelidade em relacionamentos amorosos (Anexo 7). Esta lista foi construída a partir de citações (1) ouvidas em atendimentos clínicos realizados pelo autor, (2) presentes na literatura acadêmica e (3) com exemplos citados por uma amostra de 30 voluntários (15 homens e 15 mulheres). A tarefa desta amostra de participantes era descrever relações amorosas triangulares que envolvessem o(a) parceiro(a) emitindo comportamentos considerados pelos respondentes como uma infidelidade de fato ou em potencial. Estas situações descritas poderiam ter sido vividas pelos próprios respondentes, ou ainda, vivenciadas por outras pessoas que eles conheciam. Cada voluntário foi convidado, de forma anônima, a citar de forma livre tais situações por meio da seguinte instrução: “Cite algumas situações, sentimentos e comportamentos que você acha que estariam relacionados a uma infidelidade entre dois namorados. Estas situações descritas podem ter sido vividas por você mesmo, ou ainda, vivenciadas por outras pessoas conhecidas”.

Este rol de comportamentos resultou em 30 dos itens que foram submetidos a uma análise semântica: foram apresentados a 172 adolescentes[2] (86 homens e 86 mulheres), de uma escola da mesma cidade daqueles que forneceram os trinta itens. A tarefa destes participantes era confirmar ou discordar, anonimamente, com a hipótese de cada um dos itens apontados estarem relacionados à infidelidade, e também citar outros itens que achassem relacionados à infidelidade. Este procedimento permitiu aferir o instrumento, possibilitando ajustes e correções na lista inicial de comportamentos de infidelidade. O critério definido pelo autor para eliminar itens foi o de pelo menos 50% das pessoas, de pelo menos um dos sexos, discordarem que ele estaria relacionado a uma infidelidade, então, este item seria retirado. Caso contrário, este item permaneceria no inventário. Um novo item foi incluído quando pelo menos duas pessoas citaram um dado tipo de comportamento relacionado à infidelidade que inicialmente não constava na lista, ao menos semanticamente de forma similar. Consultados estes participantes foram retirados seis itens das trinta afirmações e foram acrescentadas, ou ainda reformuladas outras 11 afirmações, que ao total, compuseram a versão de 35 afirmações.

Na Tabela 1 a seguir podemos observar a concordância/discordância dos 172 adolescentes para os quais foram encaminhadas as 30 afirmações primeiras que poderiam estar relacionadas à infidelidade:

Tabela 1 - Concordância/Discordância absoluta e relativa (entre parênteses) dos participantes separadamente em relação aos itens encaminhados para a aferição do inventário de comportamentos relacionados à infidelidade.

 

HOMENS

MULHERES

Afirmação

Concordam

Discordam

Concordam

Discordam

1

68 (79%)

18 (21%)

65 (76%)

21 (24%)

2

46 (53%)

40 (47%)

45 (52%)

41 (48%)

3

65 (76%)

21 (24%)

67 (78%)

19 (22%)

4

64 (74%)

22 (26%)

67 (78%)

19 (22%)

5

58 (67%)

28 (33%)

61 (71%)

25 (29%)

6

52 (60%)

34 (40%)

61 (71%)

25 (29%)

7

59 (69%)

27 (31%)

59 (69%)

27 (31%)

8

61 (71%)

25 (29%)

46 (53%)

40 (47%)

9

70 (81%)

16 (19%)

59 (69%)

27 (31%)

10

55 (64%)

31 (36%)

76 (88%)

10 (12%)

11

29 (34%)

57 (66%)*

59 (69%)

27 (31%)

12

41 (48%)

45 (52%)*

38 (44%)

48 (56%)*

13

63 (73%)

23 (27%)

25 (29%)

61 (71%)*

14

60 (70%)

26 (30%)

71 (83%)

15 (17%)

15

38 (44%)

48 (56%)*

52 (60%)

34 (40%)

16

59 (69%)

27 (31%)

43 (50%)

43 (50%)*

17

62 (72%)

24 (28%)

40 (47%)

46 (53%)*

18

57 (66%)

29 (34%)

50 (58%)

36 (42%)

19

50 (58%)

36 (42%)

72 (84%)

14 (16%)

20

60 (70%)

26 (30%)

67 (78%)

19 (22%)

21

66 (77%)

20 (23%)

71 (83%)

15 (17%)

22

52 (60%)

34 (40%)

61 (71%)

25 (29%)

23

58 (67%)

28 (33%)

65 (76%)

21 (24%)

24

71 (83%)

15 (17%)

54 (63%)

32 (37%)

25

56 (65%)

30 (35)

66 (77%)

20 (23%)

26

66 (77%)

20 (23%)

75 (87)

12 (13%)

27

50 (58%)

36 (42%)

60 (70%)

26 (30%)

28

68 (79%)

17 (21%)

63 (73%)

23 (27%)

29

76 (88%)

10 (12%)

68 (79%)

17 (21%)

30

49 (57%)

37 (43%)

59 (69%)

27 (31%)

 

 

 

Legenda: *Item(ns) excluídos(s) porque não alcançaram 50% de acordo.

 

 

Posteriormente, o questionário resultante do procedimento anterior foi submetido a outros 30 voluntários para testar se o mesmo estaria adequado, no que diz respeito à inteligibilidade dos itens e das instruções, para a aplicação. Realizados os devidos ajustes e correções, o instrumento final ficou constituído de 35 descrições de comportamentos relacionados à infidelidade, em uma versão masculina e feminina, cujas linguagens foram adaptadas para ter em mente ex-parceiros e atuais parceiros (primeira e segunda etapa). Estas versões foram utilizadas nas duas coletas desta pesquisa (anexos 8, 9 10, 11, 12 e 13). Tal instrumento, é um recurso útil para captar os principais comportamentos relacionados à infidelidade amorosa, ao menos na concepção daqueles que participaram da pesquisa e assemelhados.

 

2.4 Procedimento para a coleta de dados

 

A coleta de dados foi organizada em duas etapas:

 

2.4.1 Primeira etapa (Aplicação pelo pesquisador e aplicação on-line):

 

·         Aplicação pelo pesquisador

 

Os casais participantes, conforme entravam em contato com o experimentador, eram agendadas entrevistas para a coleta de dados. Os que vinham até o local designado no Instituto de Psicologia da USP foram separados em salas para fazerem suas coletas individualmente. Este procedimento proporcionava a cada participante a privacidade, a fim de que se aumentasse a confiabilidade de suas respostas e não os sujeitassem às possíveis conseqüências negativas, caso revelassem para o outro determinadas respostas. Neste local, foi distribuída uma carta de apresentação (Anexo1) a cada membro do casal e lhes foi pedido que assinassem o termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo 2), caso concordassem com os termos assinalados, dessa forma efetivando sua adesão. Então, para cada participante era destinado um conjunto de testes (ECR, Inventário de comportamentos relacionados à infidelidade em relação aos ex-parceiros e o Inventário de comportamentos relacionados à infidelidade em relação aos atuais parceiros). Nem o próprio experimentador permanecia no local da coleta, permitindo assim uma maior privacidade na hora de responderem aos questionários. Era informado aos participantes que tivessem alguma dúvida que fossem ao encontro do pesquisador que se encontrava disponível em uma sala contígua.

Ao final do preenchimento dos questionários, o experimentador ainda coletou algumas informações adicionais (Anexo 14). Ao findar da coleta os participantes receberam uma devolutiva indicando o respectivo grau de ciúme apontado pelo teste ECR. A distribuição dos dois questionários para cada participante foi realizada de modo alternado, isto é, metade dos participantes respondeu primeiramente a ECR, e a outra metade respondeu primeiramente os inventários de comportamentos caracterizados como relacionados à infidelidade. Tal ordem de apresentação, de acordo com Cozby (2003) é uma técnica de contrabalanceamento útil para mitigar possíveis vieses de respostas provocados pela ordem de aplicação das tarefas e efeitos carry over.

 

·         Aplicação on-line

 

Aos participantes que não puderam comparecer pessoalmente, foi pedido que, antes que recebessem os testes, enviassem, por escrito ao pesquisador deste estudo, o termo de consentimento livre e esclarecido assinado (Anexo 2), o qual lhes foi enviado por e-mail. Recebidos tais termos de consentimento assinados, foi-lhes enviado, por e-mail, o mesmo conjunto de testes aplicados nos participantes que puderam comparecer pessoalmente, com as instruções em anexo (Anexo 3). O pesquisador teve o mesmo cuidado em alternar a ordem de encaminhamento dos questionários para mitigar, pela técnica do contrabalançamento, possíveis vieses de respostas provocados pela ordem de aplicação das tarefas e efeitos carry over.

 Recebido os questionários preenchidos, as informações adicionais (anexo 14) eram obtidas quando o experimentador do estudo ligava para cada uma das pessoas que estavam participando dessa forma. Neste momento, também foi feita a devolutiva para estes participantes da pesquisa, revelando os seus graus de ciúme indicado pelo teste ECR.

Com o fito de garantir o sigilo das informações e das comunicações entre o pesquisador e os participantes deste estudo, cada participante se atribuiu um código (anexo 3). Este código era um anagrama confeccionado com as 3 últimas letras do nome da rua de cada participante, sendo que cada anagrama foi sempre formado pelas letras que compunham o nome da rua onde habitava o participante do sexo masculino. Esta codificação permitiria uma rápida recuperação do conjunto dos dados de cada participante.

Foi dito a todos os participantes deste teste que seria esta era a primeira etapa da pesquisa e que seria desejável, para os objetivos do estudo, que houvesse também a adesão dos mesmos à segunda etapa que seria realizada em aproximadamente três meses.

Dessa forma, a aplicação do inventário de comportamentos relacionados à infidelidade em relação aos parceiros anteriores gerou uma linha de base para que se pudesse analisar as influências disposicionais ou situacionais na infidelidade dos parceiros. O autor pressupõe que os relacionamentos amorosos são sistemas dinâmicos e que determinados fatores na personalidade de um parceiro, como o ciúme e as incidências de comportamentos relacionados à infidelidade citados pelos participantes possam interagir com as características do outro parceiro.  Para verificar isso, foi coletado o número de engajamentos em situações relacionadas à infidelidade tanto em relação aos ex-parceiros bem como em relação aos atuais parceiros dos participantes.

  Assim, poder-se-ia avaliar estatisticamente se havia uma propensão a trair, independentemente das características de cada relacionamento com os parceiros (influência disposicional), ou se as características dos relacionamentos amorosos, com os atuais parceiros, poderiam influenciar (influência situacional), de alguma forma, interferindo no número de comportamentos de infidelidade com relação ao parceiro em questão. Como se poderia pensar que namoros mais longos pudessem cumulativamente agregar um maior número de comportamentos relacionados à infidelidade, ao se fazer o devido tratamento estatístico tal dado será considerado, tanto em relação aos ex-parceiros, como em relação aos atuais parceiros.

 

2.4.2 Segunda Etapa (Aplicação pelo pesquisador e aplicação on-line):

 

·         Aplicação pelo pesquisador

 

Alguns meses depois que os casais participantes responderam pela primeira vez os testes da primeira etapa[3], aqueles que podiam vir até o local designado no Instituto de Psicologia da USP compareceram novamente e foram separados em salas para participarem da segunda coleta, individualmente. Então, eram submetidos a dois testes: A “Escala de Ciúme Romântico” e o “Inventário de comportamentos relacionados à infidelidade” (Anexos 12 e 13). Desta vez, a tarefa consistia em responder aos questionários tendo em vista os parceiros com os quais estavam juntos por ocasião da primeira aplicação e que indicassem o número de traições que tinham perpetrado nos meses conseguintes desde a primeira coleta. O mesmo procedimento utilizado na coleta anterior de intercalação dos questionários foi utilizado nessa etapa. Esta etapa também pôde proporcionar uma avaliação da variação da infidelidade dos participantes em relação aos parceiros por ocasião da primeira aplicação dos testes.

 

·         Aplicação on-line

 

Aos participantes que não puderam comparecer pessoalmente à entrevista com o pesquisador, foi enviado, por e-mail, o mesmo conjunto de testes a que os participantes que puderam apresentar-se pessoalmente tiveram acesso (anexos 12 e 13). Recebidos os questionários preenchidos, o pesquisador telefonava para cada participante e fazia a devolutiva revelando o grau de ciúme indicado pelo teste ECR e se o mesmo havia sido alterado ao longo do tempo desde a primeira participação no estudo.

         O objetivo desta etapa foi verificar se com a reaplicação do teste ECR havia alguma alteração no grau de ciúme, em relação ao grau verificado na coleta da primeira etapa e rastrear se havia alterações nos comportamentos relacionados à infidelidade. Esta etapa também pöde proporcionar uma avaliação da variação da infidelidade dos participantes em relação aos parceiros por ocasião da primeira aplicação dos testes.

 

 2.5 Procedimento para a análise dos dados.

        

Primeiramente, após a coleta, tais dados foram registrados, tabulados e separados para a primeira e para a segunda etapas da coleta. Em seguida, os dados foram encaminhados para o Laborátorio de Estatística Aplicada (LAE) do Departamento de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde receberam o devido tratamento estatístico.

Para poder se chegar aos resultados a seguir foram utilizadas as seguintes ferramentas estatísticas:  média, desvio padrão, máximo, mínimo e o Teste t para comparação de médias e o Teste não paramétrico Mann-Whitney para a comparação das medianas. Os softwares utilizados foram o Excel e o Minitab.

 

 

 

3- RESULTADOS

 

Como a presente pesquisa foi realizada em duas etapas, os resultados foram obtidos gradativamente, de acordo com a ocorrência de cada uma dessas etapas. Dessa forma, neste capítulo optou-se pela descrição dos resultados de forma progressiva para se mostrar como se chegou a eles e, conseqüentemente, à conclusão final.

 

3.1 Definição das variáveis.

 

Os dados foram analisados para se verificar a existência de possíveis relações entre as variáveis, sobretudo, para as variáveis ciúme e infidelidade.

Para analisar os dados referentes ao ciúme dos participantes da amostra, definimos como “Ciúme I” o escore bruto de cada participante dividido pelo número de itens respondidos, e que foram aplicados, por ocasião da primeira etapa. Em outras palavras, ele é o escore correspondente ao fator Não ameaça versus Ameaça, pesquisado por Ramos, Yazawa & Salazar (1994), para cada participante deste estudo, e para o teste de ciúme respondido por ocasião do primeiro contato que cada participante teve com este estudo. “Ciúme II” foi definido como o escore bruto de cada participante dividido pelo número de itens respondidos, e que foram aplicados, por ocasião da segunda etapa. Em outras palavras, ele é o escore correspondente ao fator Não ameaça Versus ameaça, confeccionado por Ramos, Yazawa & Salazar (1994), para cada participante deste estudo em cada uma destas duas ocasiões.

Para analisar os dados referentes à infidelidade amorosa dos participantes da amostra, foi definido como “Infidelidade I” (infidelidade dos participantes por ocasião da primeira etapa desta pesquisa), o escore bruto de comportamentos relacionados à infidelidade de cada um dos participantes (anexos 10 e 11) dividido pelo tempo de namoro (em meses) declarado por este, por ocasião da primeira etapa.

Foi definido como “Infidelidade II” (infidelidade dos participantes por ocasião da segunda etapa desta pesquisa), o escore bruto de comportamentos relacionados à infidelidade de cada um dos participantes (anexos 12 e 13) dividido pelo tempo de namoro (em meses) declarado por ele, por ocasião da segunda etapa.

Foi definido como “Infidelidade III” (infidelidade pelos parceiros por ocasião da primeira etapa desta pesquisa), o escore bruto de comportamentos relacionados à infidelidade dos(as) parceiros(as) de cada um dos participantes (anexos 10 e 11) dividido pelo tempo de namoro (em meses) declarado por ocasião da primeira etapa.

Foi definido como “Infidelidade IV” (infidelidade pelos parceiros por ocasião da segunda etapa desta pesquisa), o escore bruto de comportamentos relacionados à infidelidade dos(as) parceiros(as) de cada um dos participantes (anexos 12 e 13) dividido pelo tempo de namoro (em meses) declarado por ocasião da segunda etapa.

 

3.2. Ciúme romântico e infidelidade amorosa: em busca de possíveis associações - As estatísticas inferenciais.

 

Foi utilizada a correlação de Pearson para verificar se havia relação entre as duas medidas do “Ciúme” (I e II); entre os tipos de “Infidelidade” (I, II, III e IV) e entre Ciúme e Infidelidade. Estas correlações são as seguintes:

 

·         A correlação entre as variáveis “Ciúme I” e “Ciúme II”, independentemente do sexo, foi r = 0.875, com p < 0.0001, 90 gl;

·         A correlação para o sexo feminino entre as variáveis “Ciúme I” e “Ciúme II” foi r = 0.911, com p < 0.001, 45 gl;

·         A correlação para o sexo masculino entre as variáveis: “Ciúme I” e “Ciúme II” foi r = 0.824, com p< 0.001, 45 gl;

·         A correlação entre as variáveis “Ciúme I” (masculino) e “Ciúme I” (feminino), foi r = 0,501, com p<0,0001, 45 gl;

·         A correlação entre as variáveis “Ciúme II” (masculino) e “Ciúme I” (feminino), foi r = 0,462, com p<0,001, 45 gl;

·         A correlação entre as variáveis “Ciúme I” (masculino) e “Ciúme II” (feminino), foi r = 0,530, com p<0,001, 45 gl;

·         A correlação entre as variáveis “Ciúme II” (masculino) e “Ciúme II” (feminino), foi r = 0,522, com p<0,001, 45 gl.

 

Considerando os cruzamentos entre as etapas da pesquisa e também o cruzamento independentemente do sexo, podemos observar que para as duas etapas temos correlações significativas. Então, com o objetivo de verificar se existe diferença significativa entre as duas etapas para a variável ciúme, independente do sexo, aplicamos o Teste t pareado. O Teste t pareado, também conhecido como Teste t relacionado é empregado quando os mesmos participantes tomam parte de ambas as condições, como neste caso. Assim, por meio do Teste t pareado, podemos dizer que não existe diferença significativa entre as duas etapas. O valor da estatística Teste t é -0,13, com p =0,898, e com 88 graus de liberdade.

Considerando o sexo masculino, aplicamos o Teste t pareado para verificar diferença significativa (ou não) entre as duas etapas, para a variável ciúme. A estatística do teste é igual a -1,10 e o p é igual a 0,279, para 43 gl; logo, podemos afirmar que não existe diferença significativa, para a variável ciúme entre a primeira e a segunda etapa considerando o sexo masculino. Para o sexo feminino, temos também que não existe diferença significativa entre as duas etapas. O valor da estatística t é 1,15 e o p é igual a 0,258, para 43 gl.

As correlações encontradas entre as duas medidas de ciúme (primeira e segunda etapas) e os quatro tipos de infidelidade (dos participantes e pelos parceiros, na primeira e na segunda etapa) foram:

·         Correlação entre as variáveis “Ciúme I” e “Infidelidade I”, independente do sexo foi r = –0,03, com p = 0,762, 90 gl;

·         Correlação entre as variáveis “Ciúme I” e “Infidelidade II”, independente do sexo foi 0,04, com p = 0,733, 90 gl;

·         Correlação entre as variáveis “Ciúme II” e “Infidelidade I”, independente do sexo foi –0,01, com p = 0,939, 90 gl;

·         Correlação entre as variáveis “Ciúme II” e “Infidelidade II”, independente do sexo foi 0,04, com p = 0,730, 90 gl;

·         Correlação entre as variáveis “Infidelidade I” e “Infidelidade II”, independentemente do sexo foi 0.19, com p = 0,080, 90 gl;

·         Especificamente a correlação para o sexo feminino para as variáveis “Infidelidade I” e “Infidelidade II” foi 0,14, com p = 0,346, 45 gl;

·         Especificamente a correlação para o sexo masculino para as variáveis “Infidelidade I” e “Infidelidade II” foi 0,36, com p = 0,015, 45 gl;

·         Correlação entre as variáveis “Infidelidade III” e “Infidelidade IV”, independentemente do sexo foi 0,19, com p = 0,080,  90 gl;

·         Especificamente a correlação para o sexo feminino para as variáveis “Infidelidade III” e “Infidelidade IV” foi 0,14, com p = 0,346, 45 gl;

·         Especificamente a correlação para o sexo masculino para as variáveis “Infidelidade III” e “Infidelidade IV” foi 0,36, com p = 0,015, com, 45 gl;

 

 As correlações estatisticamente significativas, apresentadas acima, serão agora analisadas e discutidas mais detalhadamente. Nas figuras a seguir, o eixo das ordenadas representa os escores de ciúme de cada participante por ocasião da primeira etapa, e o eixo das abscissas representa os escores de ciúme de cada participante por ocasião da segunda etapa, respectivamente para este estudo.

Os seguintes gráficos ilustram as relações estatisticamente significativas apresentadas acima:

 

 

Figura 1: Gráfico de dispersão entre as variáveis “Ciúme I” e “Ciúme II”, independente do sexo dos participantes.

 

 

A Figura 1 evidencia uma associação linear positiva entre as variáveis “Ciúme I” que representa os escores mensurados de ciúme de cada um dos participantes, por ocasião da primeira coleta, e entre “Ciúme II” que representa os escores mensurados de ciúme dos mesmos participantes, por ocasião da segunda coleta. Dessa forma, pode-se dizer que há uma tendência para cada participante ter o mesmo escore de ciúmes nestas duas ocasiões (fidedignidade teste-reteste: r = 0.88, p< 0,0001).

 

 

3.2.1 O ciúme masculino e o ciúme feminino da amostra pesquisada.

 

Analisando mais detalhadamente os escores de ciúme para os diferentes sexos obtemos os seguintes gráficos e as seguintes inferências:

 

Figura 2: Gráfico de dispersão entre as variáveis “Ciúme I” (feminino) e “Ciúme II” (feminino).

Sendo que a correlação encontrada entre as variáveis “Ciúme I” (feminino) e “Ciúme II” (feminino) foi r= 0.91 (com p= 0.000, 45 gl), verifica-se por meio da Figura 2 que, há uma forte associação entre os escores individuais femininos.

Para os escores de ciúmes masculinos, observa-se uma associação ligeiramente mais fraca r= 0.85 (com p = 0.000, 45 gl), do que aquela observada para o ciúme feminino, como podemos observar pela Figura 3. Observe que em ambos os casos à medida que o grau de “Ciúme I” (masculino ou feminino), para cada participante, crescem os escores de “Ciúme II” (masculino ou feminino), para cada participante, também crescem.

 



[1] Os quarenta itens selecionados que compõe o fator “Não-ameaça versus ameaça” e que foram analisados para esta pesquisa foram: 1, 2, 3, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 13, 14, 16, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25, 26, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 44, 46, 47, 50, 51 e 52.

[2] Originalmente este trabalho pretendia estudar o ciúme romântico entre os adolescentes, contudo, devido à baixa adesão desta amostra ao estudo, houve a substituição da mesma, porém, foram aproveitadas as contribuições dadas por esta amostra dado o fato que foram consideradas úteis pelo investigador da presente pesquisa.

[3] Na medida do possível, tentamos padronizar o tempo para a ocorrência da segunda coleta em 3 meses a partir da primeira coleta.