Figura 3 - Gráfico de dispersão entre as variáveis “Ciúme I” (masculino) e “Ciúme II” (masculino).

 

 

         A Tabela 2, a seguir, mostra as médias, variâncias e desvios padrões para todos os tipos de ciúme mensurados.

 

Tabela 2 - Médias, variâncias e desvios-padrões para as diferentes medidas de ciúme (independentemente do sexo e separadamente por sexo).

 

 

Variável

µ

(σ)2

 

 

σ

Ciúme I

2,70

0,43

0,66

Ciúme II

2,69

0,46

0,68

Ciúme I (feminino)

 

2,57

0,40

0,69

Ciúme II

(feminino)

2,63

0,49

0,75

Ciúme I (masculino)

2,82

0,44

0,66

Ciúme II

(masculino)

2,76

0,43

0,65

 

 

Considerando agora os cruzamentos entre etapa e sexo, apresentamos na Tabela 3, as correlações e seus respectivos p-values.

 

Tabela 3 - Correlações para a variável Ciúme, considerando as etapas e o sexo.

 

Variáveis Correlacionadas

Valor da correlação

p-value

Ciúme I (masculino) x Ciúme I (feminino)

0,501

<0,0001

Ciúme II (masculino) x Ciúme I (feminino)

0,462

0,001

Ciúme I (masculino) x Ciúme II (feminino)

0,530

<0,001

Ciúme II (masculino) x Ciúme II (feminino)

0,522

<0,001

 

Observe na Tabela 3, que para as duas etapas, temos correlações significativas, considerando o sexo dos participantes.

Com o objetivo de verificar se existe diferença significativa entre as duas etapas para a variável ciúme, independente do sexo, aplicamos o Teste t pareado. Pelo teste t pareado, podemos dizer que não existe diferença significativa entre as duas etapas. O valor da estatística teste t é -0,13, com p igual a 0,898, para 88 graus de liberdade. Considerando o sexo masculino, aplicamos o Teste t pareado para verificar diferença significativa (ou não) entre as duas etapas, para a variável ciúme. A estatística do teste é igual a -1,10 e o p é igual a 0,279, para 43 graus de liberdade. Logo, podemos afirmar que não existe diferença na significativa, entre os escores de ciúmes masculinos para as duas etapas. Para o sexo feminino temos que, também, não existe diferença significativa entre as duas etapas; o valor da estatística t é 1,15 e o p é igual a 0,258, para 43 graus de liberdade.

Em relação aos dados da Tabela 2, verificamos que as médias para os escores de ciúmes femininos são menores do que as médias para os escores de ciúmes masculinos.

 

3.3 A infidelidade amorosa da amostra pesquisada.

 

As correlações entre as Infidelidades I e II e entre as Infidelidades III e IV não foram estatisticamente significantes (respectivamente 0,19; 90 gl; p < 0,08) e 0,19; 45 gl; p< 0,08). Isto significa que não há qualquer relação detectada entre os vários tipos de infidelidades pesquisadas neste estudo. Assim, os escores de infidelidade não estão associados de qualquer forma, quer seja positivamente ou negativamente, uns com os outros, sendo que a infidelidade de um parceiro não é de qualquer forma preditiva para a infidelidade do outro parceiro.

A Figura 4, a seguir, mostra graficamente as ausências de relações entre as traições I e II e, também, mostra a grande incidência de infidelidade para os participantes, sobretudo, na segunda fase da pesquisa.

Figura 4 - Infidelidade dos parceiros (primeira etapa) versus Infidelidade dos parceiros (segunda etapa), independente do sexo.

 

Considerando as respostas obtidas via questionário, aplicamos ainda um teste de correlação para as quantidades de infidelidade, medidas nas duas aplicações, isto é, em dois momentos, para os pares de casais. Este teste mostra que existe correlação linear apenas para os escores de infidelidade dos casais, obtidos na segunda coleta de dados. A Tabela 5 mostra as correlações e o p-valor, para cada par correlacionado.

Tabela 4 - Correlação, para a variável Infidelidade, segundo o sexo,

em dois momentos.

 

Masculino

Feminino

Infidelidade I

Infidelidade II

Infidelidade I

-0.096

p= 0,529

-0.113

p = 0,460

Infidelidade II

-0.070

p= 0,646

0,364

p = 0,014

 

 

Podemos verificar, pela Tabela 4, que existe correlação entre as variáveis “Infidelidade dos parceiros” apenas entre o sexo masculino e o sexo feminino, apenas para a segunda etapa da pesquisa. O valor do teste é igual a 0,364 e o p é igual a 0,014. Isso significa que há uma relação linear positiva entre os valores de infidelidade dos parceiros, por ocasião da segunda aplicação, de modo que homens que traem mais teriam parceiras também mais traidoras.

 

Tabela 5 - Estatísticas descritivas para as variáveis “Infidelidade I” e “Infidelidade II”,

independentemente do sexo.

 

Variáveis

N

Média

Desvio-padrão

Infidelidade I

90

3,55

9,38

Infidelidade II

90

49,6

212

 

Pela Tabela 5 e, também, pela Figura 4 podemos verificar nitidamente que da primeira para a segunda aplicação nesta pesquisa, a incidência de traições dos participantes aumentou mais de 13 vezes. Com o objetivo de verificar se existia diferença significativa entre “Infidelidade I” e “Infidelidade II”, é, trair o parceiro e ser traído pelo parceiro na ocasião da primeira coleta dos dados ( independente do sexo), aplicamos o teste t pareado. As hipóteses consideradas foram:

H0: não existia diferença significativa entre “Infidelidade I” e “Infidelidade II”;

H1: existia diferença significativa entre “Infidelidade I” e “Infidelidade II”.

 

 

Pelo teste t pareado, podemos dizer que existe diferença significativa entre as duas etapas. O valor da estatística teste t é 2,08, com p = 0,041, 88 gl. Isso implica que os resultados apresentados na “Infidelidade II” são maiores, portanto, podemos dizer que, no segundo momento, a infidelidade dos atuais parceiros é maior do que no primeiro momento (“Infidelidade I”).

Para o sexo masculino, existe diferença significativa entre o Ciúme I e II (t = 4,04; p <0,0001). Isto significa que os valores obtidos para a variável infidelidade masculina, em relação às mulheres, na segunda etapa são em média maiores do que na primeira etapa (e esta diferença é significativa). Para o sexo feminino, podemos dizer que também existe diferença significativa entre as etapas I e II (t = 1,96; p <0,056). Logo, os valores obtidos para a variável infidelidade na segunda etapa, tanto para os homens bem como para suas parceiras são em média maiores do que na primeira etapa.

 

3.3.1 Análise descritiva das ocorrências de infidelidade na amostra pesquisada.

 

         A coleta ainda propiciou os dados necessários para se analisar a amostra pesquisada em três eixos: os pesquisados em relação aos ex-parceiros deles, os pesquisados em relação aos seus atuais parceiros, por ocasião da primeira etapa e pesquisados em relação aos seus atuais parceiros, por ocasião da segunda etapa. A seguir passaremos para cada uma destas análises descritivas.

 

3.3.1.1 Estatísticas descritivas das ocorrências de infidelidade dos pesquisados em relação aos ex-parceiros.

 

         As percentagens de traições para cada um dos trinta e cinco tipos de traições que constam do Inventário de Comportamentos relacionados à infidelidade, tanto independentemente do sexo, bem como separados por sexo podem ser vistas na Tabela 6, em ordem decrescente de incidência independente do sexo.

Tabela 6 - Tabela de freqüências relativas, ordenadas segundo o total,  para as afirmações por classe, com destaque  (** e *) para as  3 maiores e menores  ocorrências respectivamente (Ex-parceiros).

 

 

 

Afirmações[1]

%

(total)

 %

(sexo feminino)

%

(sexo masculino)

2 - Ter pensamentos com outra(s) pessoa(s) que não sejam(m) os próprios parceiros

15,40**

17,32**

14,73**

1 - Bater papo em chats, receber e-mails por meio de sites de namoros, mensagens on-line etc.

12,48**

22,46**

8,99**

26 - Permitir-se ser paquerado(a) por outra pessoa, que lhe atraísse fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente e que não fosse o(a) atual parceiro(a), e mesmo assim, não deixar com que o(a) teu(tua) próprio(a) parceiro(a) tome conhecimento de que isso aconteceu.

5,57**

4,11

6,08**

22 - Deixar o celular em baixo volume, ou ainda, não o atendi enquanto estava com o(a) meu(minha) parceiro(a) porque reconheci que tal telefonema era de uma outra pessoa que eu paquerava.

5,04

2,24

6,02

34 - Continuar a receber ligações de ex-namorados(as) sem o conhecimento do(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a) com quem estava na época da minha primeira participação neste estudo.

4,67

5,46

4,40

14 - Ter relações sexuais com o(a) meu(minha) parceiro(a) enquanto eu estava, nesse momento, imaginando como seriam as mesmas relações sexuais com uma outra pessoa, que não fosse o(a) atual parceiro(a).

4,56

8,12**

3,32

35 - Beijar na boca uma outra pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a).

4,27

3,31

4,61

21 - Ir para um local escondido com alguém que me atraiu fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente, sem o conhecimento do(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a), independentemente de ter consumado qualquer ato como, por exemplo, um beijo na boca.

4,25

3,59

4,48

7 - Ligar para uma pessoa que me interessou fisicamente, emocionalmente ou amorosamente, não fosse o(a) atual parceiro(a).

4,14

2,61

4,68

3 - Sair para procurar uma outra pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a).

3,63

2,19

4,14

8 - Flertar simultaneamente com duas ou mais pessoas enquanto estava com o próprio relacionamento amoroso com seu(sua) atual parceiro(a).

3,39

1,59

4,02

6 - Beijar na boca uma outra pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a).

3,33

2,19

3,73

9 - Convidar para tomar comigo um lanche, ou ainda, almocei a sós com uma pessoa que não seja seu(sua) atual parceiro(a).

2,92

3,27

2,80

10 - Ligar para alguém que me interessou sentimentalmente ou fisicamente, enquanto seu(sua) atual parceiro(a) não estava por perto.

2,92

3,50

2,71

4 - Ir para algum local, público ou privado, com uma outra pessoa.

2,72

3,08

2,60

5 - Ir para uma danceteria/barzinho com outra pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a).

2,43

1,45

2,78

15 - Ligar para o(a) meu(minha) parceiro(a), antes ou depois de ter(tido) um encontro de natureza sexual ou emocional com alguém que me interessou fisicamente ou amorosamente.

2,28

1,96

2,39

12 - Dar o número do meu próprio celular, ou ainda, do meu telefone residencial, visando manter contato com alguém que não fosse o(a) atual parceiro(a).

1,73

0,93

2,01

18 - Mentir para o(a) meu(minha) próprio(a) que teria um compromisso que me impediria de vê-lo(a), para me encontrar com alguém que me atraía fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente.

1,70

0,61

2,08

13 - Manter uma aventura amorosa (independentemente da duração), com uma ou mais pessoas que não fosse o(a) atual parceiro(a).

1,39

0,75

1,62

23 - Falar que não poderia sair com o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a), somente para sair com uma outra pessoa que não seja  o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a).

1,37

1,49

1,32

19 - Não ter como ficar sem me relacionar sexualmente com alguém do sexo oposto, ou do mesmo sexo, que não seja o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a), durante o decurso do nosso relacionamento amoroso.

1,32

1,26

1,34

29 - Manter relações sexuais com outras pessoas que não fosse o(a) atual parceiro(a).

1,22

0,93

1,32

32 - Mentir que precisaria trabalhar até mais tarde, somente para ficar com uma pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a) e que me interessou fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente.

1,16

0,93

1,24

16 - Colocar preservativos na carteira, mochila, bolsa, ou carro, prevendo que eu poderia vir a me encontrar, e a me envolver sexualmente, com uma outra pessoa, que não fosse o(a) atual parceiro(a).

1,15

0,19

1,49

20 - Combinar de sair com uma outra pessoa atraente enquanto o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a) estava viajando.

1,05

0,65

1,19

30 - Faltar ao trabalho, ou ainda às aulas, somente para ficar com uma pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a) e que tenha me interessado fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente.

1,02

0,84

1,08

17 - Atender o telefonema de alguma paquera, diante do(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a) e dissimulei para este(a), pedindo que aquela pessoa ligasse em um outro momento.

0,75

0,89

0,70

25 - Enquanto estive com meu(minha) parceiro(a), e esta estava conversando com uma amiga dela, começar a dar mais atenção à amiga dela do que o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a) porque a amiga dela me interessou fisicamente, amorosamente ou sexualmente.

0,71

0,70

0,72

28 - Falar para o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a) que iria sair com a minha família e saí com outra pessoa que não o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a).

0,44

0,42

0,44

27 - Simular uma briga com o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a), ou ainda, pedir um tempo para somente para você poder ficar com uma outra pessoa que não o(a) meu(minha) parceiro(a).

0,44

0,61

0,38

11 - Ficar com uma outra pessoa, numa mesma noite, enquanto esta e meu(minha) atual parceiro(a), estávamos junto em um barzinho ou danceteria.

0,25

0,14*

0,29

33 - Mentir que estava com sua família, e não fiz isso, somente para ficar com uma pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a) e que me interessou fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente.

0,12*

0,05

0,15*

24- Apresentar um(a) amigo(a) que beijava como se fosse um(a) primo(a) para que o(a) meu(minha) parceiro(a) não pudesse desconfiar disso.

0,08*

0,14*

0,07*

31- Falar que precisava viajar a trabalho somente para ficar com uma pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a) e que me interessou fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente.

0,07*

0,00*

0,10*

                        Legenda: *    3 comportamentos menos citados;

                                        **  3 comportamentos mais citados.

 

Para termos uma melhor visualização dos comportamentos mais citados, também, podemos recorrer à Figura 5:

Figura 5 - Análise considerando as citações mais freqüentes da amostra dos comportamentos relacionados à infidelidade, separadamente e independentemente do sexo, em relação aos ex-parceiros.

 

 

Tanto pela Figura 5, bem como pela Tabela 6, pode-se observar que duas das três traições que aconteceram com maior freqüência, em relação à ex-parceiros, são as mesmas para homens e mulheres, ainda que haja algumas variações na indecência destes comportamentos. Dessa forma, para grupo masculino, ocorreu um número maior de citações para as afirmações 1 e 2, com 550 e 901 comportamentos registrados, respectivamente, para os homens e com 481 e 371 comportamentos registrados, respectivamente, para as mulheres. A afirmação 26 aparece no grupo masculino e feminino entre as três maiores freqüências (e no grupo feminino aparece com freqüência 88). A afirmação 22 aparece no grupo masculino como tendo a terceira maior ocorrência (368 comportamentos registrados e não parece no grupo feminino com a mesma importância  (48 comportamentos registrados). Também, pela Figura 5 podemos verificar que apenas a afirmação 34 ocorre apenas no grupo feminino como  a de terceira maior freqüência  (117 comportamentos registrados). Dessa forma pode-se dizer que as traições mais freqüentes exibidas pelos participantes da primeira etapa em relação aos ex-parceiros, independentemente do sexo, respectivamente, foram em ordem decrescente:

 

·         2- Ter pensamentos com outra(s) pessoa(s) que não era(m) o(a) próprio(a) parceiro(a), tais como estar beijando tal pessoa, ouvindo/dizendo frases de conotação amorosa, ou mesmo, de natureza sexual;

·         1- Manter contatos virtuais como: bater papo em chats, receber e-mails por meio de sites de namoros, mensagens on-line etc, com outra pessoa que não fosse o(a) próprio(a) parceiro(a);

·         26 - Permitir-se ser paquerado(a) por outra pessoa, que lhe atraísse fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente e que não fosse o(a) atual parceiro(a), e mesmo assim, não deixar com que o(a) teu(tua) próprio(a) parceiro(a) tomasse conhecimento de que isso houvesse acontecido.

                  

          Em relação aos comportamentos de infidelidade menos relatados, além dos comportamentos 31 (A participante falar que precisava viajar a trabalho somente para ficar com uma outra pessoa que não fosse o próprio parceiro e que a havia interessado fisicamente, amorosamente, ou ainda, sentimentalmente) que teve zero citações pelas parceiras dos participantes, por esta amostra, podem ser vistos na Figura 6:

Figura 6- Análise considerando as citações menos freqüentes da amostra dos comportamentos relacionados à infidelidade, separadamente e independentemente do sexo, em relação aos ex-parceiros.

 

 

 

              Pode-se observar, tanto na Figura 6 como na Tabela 6, que duas das três traições que aconteceram com menor freqüência, em relação à ex-parceiros, são as mesmas para homens e mulheres, além do comportamento 31 não citado nenhuma vez pelas participantes, ainda que haja algumas variações na indecência entre os dois sexos. Dessa forma, para o grupo masculino ocorreu um número menor de citações para as afirmações 33 e 24, com 9 e 4 comportamentos registrados, respectivamente, e com 1 e 3 comportamentos registrados, respectivamente, para as mulheres. A afirmação 31 não aparece citada para o grupo feminino. Como pode ser observado nas três colunas da direita da Figura 6 e na Tabela 6, os comportamentos de infidelidade menos freqüentemente citados pelos participantes em relação aos ex-parceiros, independentemente do sexo, respectivamente, foram em ordem decrescente:

 

·         24 – Apresentar um(a) amigo(a) que o(a) participante beijou como um(a) primo(a) para que o(a) parceiro(a) deste(desta) não pudessem desconfiar desta farsa.

·         31 – O(a) participante falar que precisava viajar a trabalho somente para ficar com uma outra pessoa que não fosse o(a) próprio(a) parceiro(a) e que o(a) havia interessado fisicamente, amorosamente, ou ainda, sentimentalmente.

 

Para termos uma melhor visualização das ocorrências de infidelidade na nossa amostra em relação aos ex-parceiros tanto independentemente do sexo, bem como separadamente por sexo, podemos recorrer às figuras 7, 8 e 9. Essas figuras mostram as percentagens de ocorrência de cada um dos 35 tipos de infidelidade descritos no questionário.

 

 

Figura 7 - Total de Ocorrências de infidelidade, independentemente do sexo, em relação à ex-parceiros.

 

 

Analisando a Figura 7, pode-se dizer que as afirmações que mais ocorrem são as 2 e 1 com mais de 1000 ocorrências. As afirmações que ocorrem com freqüência menor do que 10 são 32, 16, 20, 30, 17, 25, 27, 28, 11 e 33.  As afirmações 24 e 31 tiveram apenas 7 e 6 ocorrências respectivamente. [Ver as descrições de cada um destes tipos de infidelidade nos Anexos 8, 9, 10 e 11, ou na Tabela].

 A Figura 8 apresenta as freqüências de ocorrências destes comportamentos para as mulheres.

 

Figura 8 - Total de Ocorrências de infidelidade para o sexo feminino em relação aos ex-parceiros.

 

Analisando a Figura 8, para as afirmações segundo o sexo feminino, pode-se dizer que as afirmações que mais ocorrem são as 1, 2, 14 e 34 com ocorrências entre 117 a 481 vezes. As afirmações que ocorrem com freqüência menor do que 10 são as 28, 16, 11, 24 e 33. A afirmação 31 teve freqüência igual à zero. [Ver as descrições de cada um destes tipos de infidelidade nos Anexos 8, 9, 10 e 11 e Tabela 6].

A Figura 9 apresenta as freqüências de ocorrências destes comportamentos para os homens.

 

Figura 9 - Total de Ocorrências de infidelidade para o sexo masculino em relação aos ex-parceiros.

 

 

A Figura 9 mostra as incidências de traições para o sexo masculino. As traições mais citadas (com ocorrência superior a 500 vezes) são a 2 e a 1. Com ocorrências entre 18 e 99 vezes, temos os seguintes tipos de traições: 13, 16, 19, 29, 23, 32, 20, 30, 25, 17, 28, 27 e 11. Com menos de 10 ocorrências, temos os seguintes tipos de traições: 33, 31 e 24. [Ver as descrições de cada um destes tipos de infidelidade nos anexos 8, 9, 10 e 11 e Tabela 6].

 

3.3.1.2 Os homens e as mulheres relatam diferentes quantidades de infidelidade em relação aos seus ex-parceiros?

 

Para verificar se existe associação entre os comportamentos de infidelidade e o sexo, foi utilizado o teste não paramétrico Mann-Whitney (utilizamos o software MINITAB).  Como a variável em questão é uma variável quantitativa discreta, este teste é apropriado. Este teste compara medianas de duas populações Este conjunto de dados apresenta muitas respostas com valor zero, o que inviabiliza a aplicação do Teste paramétrico Qui-quadrado. 

         As hipóteses testadas foram:

 

   H0: não existe associação entre sexo e as freqüências de ocorrência dos comportamentos de infidelidade;

H1: existe associação entre sexo e as freqüências de ocorrência dos comportamentos de infidelidade;

 

Estes testes estatísticos indicam que existe relação entre as quantidades de ocorrências e o sexo (aqui, a estatística do teste W = 894,5 e tem p < 0.0001, isto é, pode-se rejeitar a hipótese H0, ao nível de 5% de significância). Dessa forma, estes dados sugerem que os homens tendem a ter mais ocorrências de infidelidade do que as mulheres em relação as suas ex-parceiras.

 

3.3.1.2 Estatísticas descritivas das ocorrências de infidelidade dos pesquisados (Atuais parceiros - Primeira etapa).

 

         A Tabela 7 apresenta as percentagens de ocorrência dos comportamentos de infidelidade dos atuais parceiros: percentagens totais e percentuais para homens e mulheres. Estes comportamentos são apresentados em ordem decrescente de percentagens totais de ocorrência.

Tabela 7 - Tabela de freqüências relativas, ordenadas segundo o total,  para as afirmações por classe, com destaque  (** e *) para as  3 maiores e menores  ocorrências respectivamente (Atuais parceiros – Primeira etapa).

Afirmações[2]

%

%

%

(total)

(sexo feminino)

(sexo masculino)

2

37,43**

12,39**

39,70**

1

24,08**

23,41**

24,14**

14

7,03**

1,96

7,49**

26

2,69

5,74

2,41

6

2,67

6,65

2,30

34

2,29

10,42**

1,55

8

2,05

2,42

2,02

10

1,97

3,93

1,80

35

1,87

3,78

1,70

3

1,81

1,66

1,82

7

1,58

5,29

1,25

5

1,56

1,36

1,58

4

1,42

2,57

1,32

21

1,42

3,63

1,22

12

0,98

1,96

0,89

9

0,92

1,36

0,88

22

0,82

0,91

0,81

19

0,78

0,91

0,77

29

0,75

1,06

0,73

17

0,75

1,36

0,70

16

0,68

0,15

0,73

15

0,68

1,36

0,62

18

0,59

0,30

0,62

20

0,50

0,60

0,49

32

0,49

0,91

0,45

25

0,44

1,06

0,38

23

0,40

0,45

0,40

13

0,38

1,21

0,30

27

0,26

0,15

0,27

28

0,25

0,60

0,22

30

0,18

0,30

0,16

11

0,16

0,15

0,16

24

0,06*

0,00*

0,07*

31

0,05*

0,00*

0,05*

33

0,00*

0,00*

0,00*

                       Legenda: *  3 comportamentos menos citados;

                                             **  3 comportamentos mais citados.

Para termos uma melhor visualização dos comportamentos mais citados podemos recorrer à Figura 10:

Figura 10 -  Os três comportamentos de maior ocorrência (Primeira etapa, Independentemente do sexo).

 



[1] As afirmações colocadas, não são as originais e foram resumidas apenas para evidenciar melhor ao leitor a que se refere cada um dos comportamentos.

[2] Ver as descrições de cada um destes tipos de infidelidade nos anexos 8, 9, 10 e 11.