
A
Tabela 2, a seguir, mostra as médias, variâncias e desvios padrões para todos
os tipos de ciúme mensurados.
Tabela
2 - Médias, variâncias e desvios-padrões para as diferentes medidas de
ciúme (independentemente do sexo e separadamente por sexo).
|
Variável |
µ |
(σ)2 |
σ |
|
|
Ciúme I |
2,70 |
0,43 |
0,66 |
|
|
Ciúme II |
2,69 |
0,46 |
0,68 |
|
|
Ciúme I (feminino) |
2,57 |
0,40 |
0,69 |
|
|
Ciúme II (feminino) |
2,63 |
0,49 |
0,75 |
|
|
Ciúme I (masculino) |
2,82 |
0,44 |
0,66 |
|
|
Ciúme II (masculino) |
2,76 |
0,43 |
0,65 |
Considerando agora os cruzamentos entre etapa e
sexo, apresentamos na Tabela 3, as correlações e seus respectivos p-values.
Tabela
3 - Correlações para a variável Ciúme, considerando as etapas e o sexo.
|
Variáveis
Correlacionadas |
Valor da correlação |
p-value |
|
Ciúme I (masculino) x Ciúme
I (feminino) |
0,501 |
<0,0001 |
|
Ciúme II (masculino) x Ciúme
I (feminino) |
0,462 |
0,001 |
|
Ciúme I (masculino) x Ciúme
II (feminino) |
0,530 |
<0,001 |
|
Ciúme II (masculino) x
Ciúme II (feminino) |
0,522 |
<0,001 |
Observe
na Tabela 3, que para as duas etapas, temos correlações significativas,
considerando o sexo dos participantes.
Com
o objetivo de verificar se existe diferença significativa entre as duas etapas
para a variável ciúme, independente do sexo, aplicamos o Teste t
pareado. Pelo teste t pareado, podemos dizer que não existe diferença
significativa entre as duas etapas. O valor da estatística teste t é
-0,13, com p igual a 0,898, para 88 graus de liberdade. Considerando o
sexo masculino, aplicamos o Teste t pareado para verificar diferença
significativa (ou não) entre as duas etapas, para a variável ciúme. A
estatística do teste é igual a -1,10 e o p é igual a 0,279, para 43
graus de liberdade. Logo, podemos afirmar que não existe diferença na
significativa, entre os escores de ciúmes masculinos para as duas etapas. Para
o sexo feminino temos que, também, não existe diferença significativa entre as
duas etapas; o valor da estatística t é 1,15 e o p é igual a 0,258, para
43 graus de liberdade.
Em relação aos dados da Tabela 2, verificamos que
as médias para os escores de ciúmes femininos são menores do que as médias para
os escores de ciúmes masculinos.
3.3
A infidelidade amorosa da amostra pesquisada.
As correlações entre as Infidelidades
I e II e entre as Infidelidades III e IV não foram estatisticamente significantes
(respectivamente 0,19; 90 gl; p < 0,08) e 0,19; 45 gl; p<
0,08). Isto significa que não há qualquer relação detectada entre os vários
tipos de infidelidades pesquisadas neste estudo. Assim, os escores de
infidelidade não estão associados de qualquer forma, quer seja positivamente ou
negativamente, uns com os outros, sendo que a infidelidade de um parceiro não é
de qualquer forma preditiva para a infidelidade do outro parceiro.
A
Figura 4, a seguir, mostra graficamente as ausências de relações entre as traições
I e II e, também, mostra a grande incidência de infidelidade para os
participantes, sobretudo, na segunda fase da pesquisa.

Figura 4 - Infidelidade dos parceiros (primeira etapa) versus
Infidelidade dos parceiros (segunda etapa), independente do sexo.
Considerando as respostas obtidas via questionário,
aplicamos ainda um teste de correlação para as quantidades de infidelidade,
medidas nas duas aplicações, isto é, em dois momentos, para os pares de casais.
Este teste mostra que existe correlação linear apenas para os escores de
infidelidade dos casais, obtidos na segunda coleta de dados. A Tabela 5 mostra
as correlações e o p-valor, para cada par correlacionado.
Tabela 4 - Correlação,
para a variável Infidelidade, segundo o sexo,
em dois
momentos.
|
Masculino |
Feminino |
|
|
Infidelidade I |
Infidelidade II |
|
|
Infidelidade I |
-0.096 p= 0,529 |
-0.113 p = 0,460 |
|
Infidelidade II |
-0.070 p= 0,646 |
0,364 p = 0,014 |
Podemos verificar, pela Tabela 4, que existe
correlação entre as variáveis “Infidelidade dos parceiros” apenas entre o sexo
masculino e o sexo feminino, apenas para a segunda etapa da pesquisa. O valor
do teste é igual a 0,364 e o p é igual a 0,014. Isso significa que há uma
relação linear positiva entre os valores de infidelidade dos parceiros, por
ocasião da segunda aplicação, de modo que homens que traem mais teriam
parceiras também mais traidoras.
Tabela 5 - Estatísticas
descritivas para as variáveis “Infidelidade I” e “Infidelidade II”,
independentemente
do sexo.
|
Variáveis |
N |
Média |
Desvio-padrão |
|
Infidelidade I |
90 |
3,55 |
9,38 |
|
Infidelidade II |
90 |
49,6 |
212 |
Pela
Tabela 5 e, também, pela Figura 4 podemos verificar nitidamente que da primeira
para a segunda aplicação nesta pesquisa, a incidência de traições dos
participantes aumentou mais de 13 vezes. Com o objetivo de verificar se existia
diferença significativa entre “Infidelidade I” e “Infidelidade II”, é, trair o
parceiro e ser traído pelo parceiro na ocasião da primeira coleta dos dados (
independente do sexo), aplicamos o teste t pareado. As hipóteses
consideradas foram:
H0:
não existia diferença significativa entre “Infidelidade I” e “Infidelidade II”;
H1: existia diferença significativa
entre “Infidelidade I” e “Infidelidade II”.
Pelo
teste t pareado, podemos dizer que existe diferença significativa entre
as duas etapas. O valor da estatística teste t é 2,08, com p =
0,041, 88 gl. Isso implica que os resultados apresentados na
“Infidelidade II” são maiores, portanto, podemos dizer que, no segundo
momento, a infidelidade dos atuais parceiros é maior do que no primeiro momento
(“Infidelidade I”).
Para
o sexo masculino, existe diferença significativa entre o Ciúme I e II (t =
4,04; p <0,0001). Isto significa que os valores obtidos para a variável
infidelidade masculina, em relação às mulheres, na segunda etapa são em média
maiores do que na primeira etapa (e esta diferença é significativa). Para o
sexo feminino, podemos dizer que também existe diferença significativa entre as
etapas I e II (t = 1,96; p <0,056). Logo, os valores obtidos para a variável
infidelidade na segunda etapa, tanto para os homens bem como para suas
parceiras são em média maiores do que na primeira etapa.
3.3.1 Análise descritiva
das ocorrências de infidelidade na amostra pesquisada.
A
coleta ainda propiciou os dados necessários para se analisar a amostra
pesquisada em três eixos: os pesquisados em relação aos ex-parceiros deles, os
pesquisados em relação aos seus atuais parceiros, por ocasião da primeira etapa
e pesquisados em relação aos seus atuais parceiros, por ocasião da segunda
etapa. A seguir passaremos para cada uma destas análises descritivas.
3.3.1.1 Estatísticas
descritivas das ocorrências de infidelidade dos pesquisados em relação aos
ex-parceiros.
As percentagens de traições para cada um dos trinta
e cinco tipos de traições que constam do Inventário de Comportamentos
relacionados à infidelidade, tanto independentemente do sexo, bem como
separados por sexo podem ser vistas na Tabela 6, em ordem decrescente de
incidência independente do sexo.
Tabela 6 - Tabela de freqüências relativas, ordenadas segundo o
total, para as afirmações por classe, com
destaque (** e *) para as 3 maiores e menores
ocorrências respectivamente (Ex-parceiros).
|
Afirmações[1] |
% (total) |
% (sexo
feminino) |
% (sexo
masculino) |
|
2 - Ter pensamentos com
outra(s) pessoa(s) que não sejam(m) os próprios parceiros |
15,40** |
17,32** |
14,73** |
|
1 - Bater papo em chats,
receber e-mails por meio de sites de namoros, mensagens on-line
etc. |
12,48** |
22,46** |
8,99** |
|
26 - Permitir-se ser
paquerado(a) por outra pessoa, que lhe atraísse fisicamente, amorosamente ou
sentimentalmente e que não fosse o(a) atual parceiro(a), e mesmo assim, não
deixar com que o(a) teu(tua) próprio(a) parceiro(a) tome conhecimento de que
isso aconteceu. |
5,57** |
4,11 |
6,08** |
|
22 - Deixar o celular em
baixo volume, ou ainda, não o atendi enquanto estava com o(a) meu(minha)
parceiro(a) porque reconheci que tal telefonema era de uma outra pessoa que
eu paquerava. |
5,04 |
2,24 |
6,02 |
|
34 - Continuar a receber
ligações de ex-namorados(as) sem o conhecimento do(a) meu(minha) próprio(a)
parceiro(a) com quem estava na época da minha primeira participação neste
estudo. |
4,67 |
5,46 |
4,40 |
|
14 - Ter relações sexuais com
o(a) meu(minha) parceiro(a) enquanto eu estava, nesse momento, imaginando
como seriam as mesmas relações sexuais com uma outra pessoa, que não fosse
o(a) atual parceiro(a). |
4,56 |
8,12** |
3,32 |
|
35 - Beijar na boca uma outra
pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a). |
4,27 |
3,31 |
4,61 |
|
21 - Ir para um local
escondido com alguém que me atraiu fisicamente, amorosamente ou
sentimentalmente, sem o conhecimento do(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a),
independentemente de ter consumado qualquer ato como, por exemplo, um beijo
na boca. |
4,25 |
3,59 |
4,48 |
|
7 - Ligar para uma pessoa que
me interessou fisicamente, emocionalmente ou amorosamente, não fosse o(a)
atual parceiro(a). |
4,14 |
2,61 |
4,68 |
|
3 - Sair para procurar uma
outra pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a). |
3,63 |
2,19 |
4,14 |
|
8 - Flertar simultaneamente
com duas ou mais pessoas enquanto estava com o próprio relacionamento amoroso
com seu(sua) atual parceiro(a). |
3,39 |
1,59 |
4,02 |
|
6 - Beijar na boca uma outra
pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a). |
3,33 |
2,19 |
3,73 |
|
9 - Convidar para tomar
comigo um lanche, ou ainda, almocei a sós com uma pessoa que não seja seu(sua)
atual parceiro(a). |
2,92 |
3,27 |
2,80 |
|
10 - Ligar para alguém que me
interessou sentimentalmente ou fisicamente, enquanto seu(sua) atual
parceiro(a) não estava por perto. |
2,92 |
3,50 |
2,71 |
|
4 - Ir para algum local,
público ou privado, com uma outra pessoa. |
2,72 |
3,08 |
2,60 |
|
5 - Ir para uma
danceteria/barzinho com outra pessoa que não fosse o(a) atual parceiro(a). |
2,43 |
1,45 |
2,78 |
|
15 - Ligar para o(a)
meu(minha) parceiro(a), antes ou depois de ter(tido) um encontro de natureza
sexual ou emocional com alguém que me interessou fisicamente ou amorosamente. |
2,28 |
1,96 |
2,39 |
|
12 - Dar o número do meu
próprio celular, ou ainda, do meu telefone residencial, visando manter
contato com alguém que não fosse o(a) atual parceiro(a). |
1,73 |
0,93 |
2,01 |
|
18 - Mentir para o(a) meu(minha)
próprio(a) que teria um compromisso que me impediria de vê-lo(a), para me
encontrar com alguém que me atraía fisicamente, amorosamente ou
sentimentalmente. |
1,70 |
0,61 |
2,08 |
|
13 - Manter uma aventura
amorosa (independentemente da duração), com uma ou mais pessoas que não fosse
o(a) atual parceiro(a). |
1,39 |
0,75 |
1,62 |
|
23 - Falar que não poderia
sair com o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a), somente para sair com uma
outra pessoa que não seja o(a)
meu(minha) próprio(a) parceiro(a). |
1,37 |
1,49 |
1,32 |
|
19 - Não ter como ficar sem
me relacionar sexualmente com alguém do sexo oposto, ou do mesmo sexo, que
não seja o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a), durante o decurso do nosso
relacionamento amoroso. |
1,32 |
1,26 |
1,34 |
|
29 - Manter relações sexuais
com outras pessoas que não fosse o(a) atual parceiro(a). |
1,22 |
0,93 |
1,32 |
|
32 - Mentir que precisaria
trabalhar até mais tarde, somente para ficar com uma pessoa que não fosse
o(a) atual parceiro(a) e que me interessou fisicamente, amorosamente ou
sentimentalmente. |
1,16 |
0,93 |
1,24 |
|
16 - Colocar preservativos na carteira,
mochila, bolsa, ou carro, prevendo que eu poderia vir a me encontrar, e a me
envolver sexualmente, com uma outra pessoa, que não fosse o(a) atual
parceiro(a). |
1,15 |
0,19 |
1,49 |
|
20 - Combinar de sair com uma
outra pessoa atraente enquanto o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a) estava
viajando. |
1,05 |
0,65 |
1,19 |
|
30 - Faltar ao trabalho, ou
ainda às aulas, somente para ficar com uma pessoa que não fosse o(a) atual
parceiro(a) e que tenha me interessado fisicamente, amorosamente ou
sentimentalmente. |
1,02 |
0,84 |
1,08 |
|
17 - Atender o telefonema de
alguma paquera, diante do(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a) e dissimulei
para este(a), pedindo que aquela pessoa ligasse em um outro momento. |
0,75 |
0,89 |
0,70 |
|
25 - Enquanto estive com
meu(minha) parceiro(a), e esta estava conversando com uma amiga dela, começar
a dar mais atenção à amiga dela do que o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a)
porque a amiga dela me interessou fisicamente, amorosamente ou sexualmente. |
0,71 |
0,70 |
0,72 |
|
28 - Falar para o(a)
meu(minha) próprio(a) parceiro(a) que iria sair com a minha família e saí com
outra pessoa que não o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a). |
0,44 |
0,42 |
0,44 |
|
27 - Simular uma briga com
o(a) meu(minha) próprio(a) parceiro(a), ou ainda, pedir um tempo para somente
para você poder ficar com uma outra pessoa que não o(a) meu(minha)
parceiro(a). |
0,44 |
0,61 |
0,38 |
|
11 - Ficar com uma outra
pessoa, numa mesma noite, enquanto esta e meu(minha) atual parceiro(a),
estávamos junto em um barzinho ou danceteria. |
0,25 |
0,14* |
0,29 |
|
33 - Mentir que estava com
sua família, e não fiz isso, somente para ficar com uma pessoa que não fosse
o(a) atual parceiro(a) e que me interessou fisicamente, amorosamente ou
sentimentalmente. |
0,12* |
0,05 |
0,15* |
|
24- Apresentar um(a) amigo(a)
que beijava como se fosse um(a) primo(a) para que o(a) meu(minha) parceiro(a)
não pudesse desconfiar disso. |
0,08* |
0,14* |
0,07* |
|
31- Falar que precisava
viajar a trabalho somente para ficar com uma pessoa que não fosse o(a) atual
parceiro(a) e que me interessou fisicamente, amorosamente ou
sentimentalmente. |
0,07* |
0,00* |
0,10* |
Legenda: * 3 comportamentos menos citados;
** 3 comportamentos mais citados.
Para termos uma melhor visualização dos
comportamentos mais citados, também, podemos recorrer à Figura 5:

Tanto pela Figura 5, bem como pela Tabela 6,
pode-se observar que
duas das três traições que aconteceram com maior freqüência, em relação à
ex-parceiros, são as mesmas para homens e mulheres, ainda que haja algumas
variações na indecência destes comportamentos. Dessa forma, para grupo
masculino, ocorreu um número maior de citações para as afirmações 1 e 2, com
550 e 901 comportamentos registrados, respectivamente, para os homens e com 481
e 371 comportamentos registrados, respectivamente, para as mulheres. A afirmação 26 aparece no grupo masculino e
feminino entre as três maiores freqüências (e no grupo feminino aparece com
freqüência 88). A
afirmação 22 aparece no grupo masculino como tendo a terceira maior ocorrência
(368 comportamentos registrados e não parece no grupo feminino com a mesma
importância (48 comportamentos
registrados). Também, pela Figura 5 podemos
verificar que apenas a afirmação 34 ocorre apenas no grupo feminino como a de terceira maior freqüência (117 comportamentos registrados).
Dessa
forma pode-se dizer que as traições mais
freqüentes exibidas pelos participantes da primeira etapa em relação aos
ex-parceiros, independentemente do sexo, respectivamente, foram em ordem
decrescente:
·
2- Ter pensamentos com outra(s) pessoa(s) que não era(m) o(a) próprio(a)
parceiro(a), tais como estar beijando tal pessoa, ouvindo/dizendo frases de
conotação amorosa, ou mesmo, de natureza sexual;
·
1- Manter contatos virtuais como: bater papo em chats, receber
e-mails por meio de sites de namoros, mensagens on-line etc, com outra
pessoa que não fosse o(a) próprio(a) parceiro(a);
·
26 - Permitir-se ser paquerado(a) por outra pessoa, que lhe atraísse
fisicamente, amorosamente ou sentimentalmente e que não fosse o(a) atual
parceiro(a), e mesmo assim, não deixar com que o(a) teu(tua) próprio(a)
parceiro(a) tomasse conhecimento de que isso houvesse acontecido.
Em relação aos comportamentos de
infidelidade menos relatados, além dos comportamentos 31 (A participante falar
que precisava viajar a trabalho somente para ficar com uma outra pessoa que não
fosse o próprio parceiro e que a havia interessado fisicamente, amorosamente,
ou ainda, sentimentalmente) que teve zero citações pelas parceiras dos
participantes, por esta amostra, podem ser vistos na Figura 6:

Pode-se
observar, tanto na Figura 6 como na Tabela 6, que duas das três traições que aconteceram com menor freqüência, em relação
à ex-parceiros, são as mesmas para homens e mulheres, além do comportamento 31
não citado nenhuma vez pelas participantes, ainda que haja algumas variações na
indecência entre os dois sexos. Dessa forma, para o grupo masculino ocorreu um
número menor de citações para as afirmações 33 e 24, com 9 e 4 comportamentos
registrados, respectivamente, e com 1 e 3 comportamentos registrados,
respectivamente, para as mulheres. A afirmação 31 não aparece citada para o grupo
feminino. Como pode ser observado nas três colunas da direita da Figura 6 e na
Tabela 6, os comportamentos de infidelidade menos freqüentemente citados pelos
participantes em relação aos ex-parceiros, independentemente do sexo,
respectivamente, foram em ordem decrescente:
·
24 – Apresentar um(a) amigo(a) que o(a) participante beijou como um(a)
primo(a) para que o(a) parceiro(a) deste(desta) não pudessem desconfiar desta
farsa.
·
31 – O(a) participante falar que precisava viajar a trabalho somente
para ficar com uma outra pessoa que não fosse o(a) próprio(a) parceiro(a) e que
o(a) havia interessado fisicamente, amorosamente, ou ainda, sentimentalmente.
Para termos uma melhor visualização das ocorrências
de infidelidade na nossa amostra em relação aos ex-parceiros tanto
independentemente do sexo, bem como separadamente por sexo, podemos recorrer às
figuras 7, 8 e 9. Essas figuras mostram as percentagens de ocorrência de cada
um dos 35 tipos de infidelidade descritos no questionário.

Figura 7 - Total de Ocorrências de infidelidade,
independentemente do sexo, em relação à ex-parceiros.
Analisando a Figura 7,
pode-se dizer que as afirmações que mais ocorrem são as 2 e 1 com mais de 1000
ocorrências. As afirmações que ocorrem com freqüência menor do que 10 são 32,
16, 20, 30, 17, 25, 27, 28, 11 e 33. As
afirmações 24 e 31 tiveram apenas 7 e 6 ocorrências respectivamente. [Ver as
descrições de cada um destes tipos de infidelidade nos Anexos 8, 9, 10 e 11, ou
na Tabela].
A Figura 8 apresenta as freqüências de
ocorrências destes comportamentos para as mulheres.

Figura 8 - Total
de Ocorrências de infidelidade para o sexo feminino em relação aos
ex-parceiros.
Analisando a Figura 8,
para as afirmações segundo o sexo feminino, pode-se dizer que as afirmações que
mais ocorrem são as 1, 2, 14 e 34 com ocorrências entre 117 a 481 vezes. As
afirmações que ocorrem com freqüência menor do que 10 são as 28, 16, 11, 24 e
33. A afirmação 31 teve freqüência igual à zero. [Ver as descrições de cada um
destes tipos de infidelidade nos Anexos 8, 9, 10 e 11 e Tabela 6].
A Figura 9 apresenta as
freqüências de ocorrências destes comportamentos para os homens.
Figura
9 - Total de Ocorrências de infidelidade para o sexo masculino em relação
aos ex-parceiros.
A Figura 9 mostra as
incidências de traições para o sexo masculino. As traições mais citadas (com
ocorrência superior a 500 vezes) são a 2 e a 1. Com ocorrências entre 18 e 99
vezes, temos os seguintes tipos de traições: 13, 16, 19, 29, 23, 32, 20, 30,
25, 17, 28, 27 e 11. Com menos de 10 ocorrências, temos os seguintes tipos de
traições: 33, 31 e 24. [Ver as descrições de cada um destes tipos de
infidelidade nos anexos 8, 9, 10 e 11 e Tabela 6].
3.3.1.2 Os homens e as mulheres
relatam diferentes quantidades de infidelidade em relação aos seus
ex-parceiros?
Para verificar se existe associação entre os comportamentos de
infidelidade e o sexo, foi utilizado o teste não paramétrico Mann-Whitney
(utilizamos o software MINITAB).
Como a variável em questão é uma variável quantitativa discreta, este
teste é apropriado. Este teste compara medianas de duas populações Este
conjunto de dados apresenta muitas respostas com valor zero, o que inviabiliza
a aplicação do Teste paramétrico Qui-quadrado.
As hipóteses testadas foram:
H0: não existe
associação entre sexo e as freqüências de ocorrência dos comportamentos de
infidelidade;
H1: existe associação entre sexo e as freqüências de
ocorrência dos comportamentos de infidelidade;
Estes testes estatísticos indicam que existe relação entre as
quantidades de ocorrências e o sexo (aqui, a estatística do teste W = 894,5 e
tem p < 0.0001, isto é, pode-se rejeitar a hipótese H0, ao nível
de 5% de significância). Dessa forma, estes dados sugerem que os homens tendem
a ter mais ocorrências de infidelidade do que as mulheres em relação as suas
ex-parceiras.
3.3.1.2 Estatísticas
descritivas das ocorrências de infidelidade dos pesquisados (Atuais parceiros -
Primeira etapa).
A Tabela 7 apresenta as
percentagens de ocorrência dos comportamentos de infidelidade dos atuais
parceiros: percentagens totais e percentuais para homens e mulheres. Estes
comportamentos são apresentados em ordem decrescente de percentagens totais de
ocorrência.
Tabela 7 - Tabela de freqüências relativas,
ordenadas segundo o total, para as
afirmações por classe, com destaque (** e *) para as 3
maiores e menores ocorrências respectivamente (Atuais parceiros – Primeira etapa).
|
Afirmações[2] |
% |
% |
% |
|
(total) |
(sexo
feminino) |
(sexo
masculino) |
|
|
2 |
37,43**
|
12,39**
|
39,70**
|
|
1 |
24,08**
|
23,41**
|
24,14**
|
|
14 |
7,03**
|
1,96 |
7,49**
|
|
26 |
2,69 |
5,74 |
2,41 |
|
6 |
2,67 |
6,65 |
2,30 |
|
34 |
2,29 |
10,42**
|
1,55 |
|
8 |
2,05 |
2,42 |
2,02 |
|
10 |
1,97 |
3,93 |
1,80 |
|
35 |
1,87 |
3,78 |
1,70 |
|
3 |
1,81 |
1,66 |
1,82 |
|
7 |
1,58 |
5,29 |
1,25 |
|
5 |
1,56 |
1,36 |
1,58 |
|
4 |
1,42 |
2,57 |
1,32 |
|
21 |
1,42 |
3,63 |
1,22 |
|
12 |
0,98 |
1,96 |
0,89 |
|
9 |
0,92 |
1,36 |
0,88 |
|
22 |
0,82 |
0,91 |
0,81 |
|
19 |
0,78 |
0,91 |
0,77 |
|
29 |
0,75 |
1,06 |
0,73 |
|
17 |
0,75 |
1,36 |
0,70 |
|
16 |
0,68 |
0,15 |
0,73 |
|
15 |
0,68 |
1,36 |
0,62 |
|
18 |
0,59 |
0,30 |
0,62 |
|
20 |
0,50 |
0,60 |
0,49 |
|
32 |
0,49 |
0,91 |
0,45 |
|
25 |
0,44 |
1,06 |
0,38 |
|
23 |
0,40 |
0,45 |
0,40 |
|
13 |
0,38 |
1,21 |
0,30 |
|
27 |
0,26 |
0,15 |
0,27 |
|
28 |
0,25 |
0,60 |
0,22 |
|
30 |
0,18 |
0,30 |
0,16 |
|
11 |
0,16 |
0,15 |
0,16 |
|
24 |
0,06* |
0,00* |
0,07*
|
|
31 |
0,05* |
0,00* |
0,05* |
|
33 |
0,00* |
0,00* |
0,00* |
Legenda: * 3 comportamentos
menos citados;
** 3 comportamentos mais citados.
Para termos uma melhor visualização dos
comportamentos mais citados podemos recorrer à Figura 10:

Figura 10 - Os três
comportamentos de maior ocorrência (Primeira etapa, Independentemente do sexo).