Artigos Científicos

NEUROIMAGEM E TRANSTORNO BIPOLAR-REVISÃO SISTEMÁTICA E CASO CLÍNICO ILUSTRATIVO

Márcio Candiani

12 de julho de 2007

NEUROIMAGEM E TRANSTORNO BIPOLAR-REVISÃO SISTEMÁTICA E CASO CLÍNICO ILUSTRATIVO

 

“BIPOLAR DISORDER AND NEUROIMAGING-SISTEMATIC REVIEW AND NA ILUSTRATIVE CLINICAL RELATE”

 

MÁRCIO CANDIANI[1]

HELIO LAUAR[2]

 

         O transtorno bipolar do humor (TBH) é um dos transtornos psiquiátricos que provocam grande incapacitação funcional (sexta causa mundial de afastamento do trabalho) e acomete de 1,5 a 3% da população. Nos últimos 15 anos, têm se procurado encontrar os substratos anatômicos que expliquem o mecanismo do TBH. Sabe-se, hoje, que os maior sintomas do TBH são: instabilidade afetiva, anormlidades neurovegetativas, impulsividade e psicose. Estes sintomas sugerem que as conexões límbicas anteriores do cérebro que controlam estes comportamentos estariam envolvidos (amigdala modulando o os circuitos prefrontal-striatal talâmico)..

         Seria o TBH causador de dano cerebral?

 

OBJETIVO: revisar a neuroanatomia estrutural e fncional do TBH

 

MÉTODOS – Utilizamos os unitermos “bipolar disorder” e “neuroimaging” e os nomes específicos das estruturas cerebrais supracitados e lançados no MEDLINE. Foram pesquisados artigos de 1966 a junho de 2004. Dos 138 artigos encontrados, foram selecionados os mais relevantes para o objetivo.

 

RESULTADOS –

 

Sax encontrou redução do volume prefrontal em pacientes com TBH x pacientess saudáveis

 

Lopez-Larson não encontraram diferenças significativamente estatísticas nos volumes prefrontais entre bipolares e pacientes saudáveis.  Juntamente com Bambilia, o TBH com longa evolução sugeriu redução da substância cinzenta prefrontal. Estes achados sugerem que o curso da doença pode influenciar as estruturas cerebrais.

 

Drevets encontrou redução do córtex prefrontal subgenual esquerdo nos pacientes com tbh (área responsával pela modulação do humor e controleintegraçãocognitiva e informações emocionais.

 

                  Assim, os sintomas do TBH sugerem disfunção nas redes límbicas anteriores que controlam estes comportamentos funcionais. Os estudos de neuroanatomia estrutural mostram:

Redução volumétrica nas subregiões prefrontais;Aumento da amigdala e estriatumAtrofia do vermis cerebelar – estão associados ao número de episódios afetivos.

                  A díade de aumento da amigdala junto com volume hipocampal normal parece ser relativamente específico para transtorno bipolar

 

§        NEUROIMAGEM FUNCIONAL (PET,SPECT E RNM FUNCIONAL)

 

Estudos sugerem que várias suibregióes prefrontais estão ativadas no tbH; em geral  Na depressão bipolar a maioria dos investigadores relatou uma redução generalizada na ativação prefrontal. Na mania, vaárias regiões prefrontais exibiratm redução da ativação. Na mania também foi relatado ativação no giro do cíngulo anterior

 

§        ALTERAÇÕES PRECOCES NA DOENÇA: areais corticais prefrontais, estriatum e amígdala.  Alterações que poderiam ser consideradas “sequelares” de múltiplos episódios ou da própria evolução da doença: vermis do cerebelo, ventrículo lateral e outras regiões prefrontais. Há também evidências de prejuízo na mielinização do corpo caloso. O lítio pode reverter ou prevenir anormalidades préfrontais da substância cinzenta por seu efeito neuroprotetor.

 

CONCLUSÃO –

 

         Os estudos sugerem que, no TBH, a modulação prefrontal das estruturas subcorticais e mediais temporais dentro do sistema límbico (amígdala, tálamo e corpo estriado anterior) está diminuída, o que resulta na desregulaççao do humor.

         Tanto as alterações precoces no desenvolvimento cerebral, quanto a degeneração tardia podem ser relevantes na fisiopatologia do transtorno bipolar. Estes estudos propõe uma tentadora teoria de uma natureza progressiva do TBH, mas são necessários mais estudos prospectivos para tal.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

1.     Strakowski, SM, DelBello, MP & Adler, CM. “The functional neuroanatomy of bipolar disorder: a review of neuroimaging findings”- Molecular Pshychiatry (2005) 10, 105-116; 2005 Nature Publishing Goup; Cincinnati, OH, USA

2.     Narrow WE, Rae Ds, Robins LN, Regier Da, Revised prevalence estimates of mental disorders in the United States: usinga a clinical significance criterion to reconcile 2 surveys´estimates. Arch Gen Psychiatry 2002; 59:115-123

3.     Lopez-Larson MP, DelBello MP, Zimmerman ME, chwiers ML, Strakowski m. Regional prefrontal gray and white matter abnormalities in bipolar disorder. Biol Psychiatry 2002; 52: 93-100

4.     Bambilia P, Harenski K, Nicoletti M, Mallinger AG, Frank E, Kupfer Dj et al. Diferential effects of age on brain gray matter in bipolar patients and healthy individuals. Neuropsychobiology 2001; 43: 242-257

5.     Drevets WC, Price JL, Simpson Jr, Todd RD, Reich T, Vannier M et al. Subgenual prefrontal cortex abnormalities in mood disorders. Nature 1997; 386: 824-827

6.     Strakowski SM, DelBello MP, Zimmerman ME et al. Ventricular and periventricular structural volumes in first-vs multiple-episode bipolar disorder. Am J Psychiatry 2002; 159: 1841-1847

 

 



[1] Psiquiatra da Infância e Adolescência-Prefeitura de Belo Horizonte-MG-Brasil

 

[2] Preceptor da Residência de Psiquiatria do Instituto Raul Soare -FHEMIG-BH-MG-BRASIL

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